Formado nos estaleiros mineiros, onde a logística se fazia em condições extremas, Juvenal Coque dirige a DHL Express Angola desde 2018. A sua aposta assenta em três pilares: a excelência operacional, os quadros nacionais e o apoio às exportações.*
Juvenal Coque tem quase duas décadas de carreira na logística. Antes de chegar à multinacional alemã de transporte expresso, fez a sua escola em terreno difícil. Entre 2006 e 2014 trabalhou no Departamento de Aprovisionamento e Logística de Projectos Mineiros da ENDIAMA/ESCOM, a abastecer operações em zonas de difícil acesso, com poucas infra-estruturas e condições muito exigentes.
O gestor considera esse período decisivo, sobretudo os anos de 2012 e 2013. «Um verdadeiro profissional de logística não se define pela ausência de dificuldades, mas pela sua capacidade de encontrar soluções mesmo nas circunstâncias mais adversas», afirma. Daí trouxe o hábito de antecipar e planear, a resiliência e a confiança no compromisso das equipas. Estas lições ainda hoje marcam a sua forma de gerir.
Entrou na DHL Express Angola em 2014, como director de Operações. Quatro anos depois passou a director-geral, o que o obrigou a alargar o olhar: das operações passou a responder também pela estratégia, pelos resultados financeiros, pela área comercial e pela gestão de pessoas. «Para liderarmos bem uma organização, precisamos de compreender verdadeiramente aquilo que faz o seu coração bater. No caso da DHL, esse coração são as nossas operações e, acima de tudo, as nossas pessoas», diz.
O motivo de maior orgulho de Juvenal Coque é a equipa de direcção da empresa, toda ela formada por quadros nacionais. «O talento angolano tem capacidade, competência e maturidade para liderar organizações multinacionais», defende. O desafio, explica, é ajustar os padrões globais da DHL à realidade do mercado sem ceder em segurança, ética, conformidade e qualidade, que considera «inegociáveis».
A DHL Express Angola quer ser mais do que uma transportadora expressa e afirmar-se como parceira das empresas que procuram mercados externos. Num país que tenta diversificar a economia e exportar mais, o gestor vê a logística como um factor de competitividade.
Para isso, a empresa assinou um memorando de entendimento com a Zona Económica Especial Luanda-Bengo, para criar uma plataforma logística integrada de padrão internacional. Também se aproximou da Câmara de Comércio Angola-China, para ligar empresas angolanas a parceiros no exterior. Como exemplos de potencial exportador, o gestor aponta o peixe seco e as amostras do sector mineiro.
Mesmo assim, há obstáculos. Juvenal Coque defende a modernização dos procedimentos aduaneiros, melhores infra-estruturas, a digitalização dos serviços e parcerias mais fortes entre o Estado e os privados. Só assim, sustenta, as operações se tornam mais previsíveis e Angola pode afirmar-se como plataforma logística regional.
Sobre o futuro, o director-geral fala mais de pessoas do que de números. «O verdadeiro sucesso de um líder não está apenas nos resultados que alcança durante a sua gestão, mas também na capacidade de preparar outros líderes para continuar e superar aquilo que foi construído», afirma. O legado que quer deixar é simples: uma DHL Express Angola dirigida por angolanos, com ou sem ele ao leme.



