Há quase três décadas que Sandra Júlio faz o percurso que o crude e o gás angolanos fazem até aos mercados internacionais.
Desde 2012 lidera, a partir de Londres, a Sonangol Limited, o braço comercial da petrolífera nacional no exterior, responsável por colocar no mercado global parte do petróleo bruto, dos refinados e do gás do país.
Formou-se em Ciência da Computação pela Universidade de Salford, em Manchester, e entrou na Sonangol em 1996 como analista de sistemas. Dois anos depois foi convidada para a Sonangol USA, em Houston, no Texas, como administradora de rede e assistente do gestor de operações.
Em 2003 mudou-se para Londres e passou para o departamento de operações de petróleo bruto, onde começou a construir a carreira na área comercial.
O ponto de viragem chegou em 2005. Com o arranque da produção de GPL do projecto Sanha, a Sonangol destacou-a para a equipa da joint venture de comercialização de GPL na Chevron, para ganhar experiência num mercado ainda novo para a empresa.
Dois anos depois regressou à Sonangol e ajudou a estruturar a área de GPL no departamento de comercialização, lançando a venda de petróleo bruto e GPL angolanos. Como negociadora, esteve envolvida em negociações de contratos, comercialização de cargas, na criação do novo departamento de gás da empresa e na formação de novos quadros.
A sua liderança foi posta à prova em Novembro de 2017, quando a administração então liderada por Isabel dos Santos tentou afastá-la da direcção da subsidiária britânica.
Sandra Júlio contestou a decisão por escrito junto do Ministro dos Petróleos, defendendo que a demissão «não se coaduna de forma alguma com a lei». Manteve-se em funções e continua hoje à frente das operações internacionais da Sonangol Limited.
A empresa que dirige foi criada em 1983 e opera também em Houston e Singapura. Gere ainda um programa de bolsas que apoia 97 estudantes angolanos em 59 universidades britânicas.



