A StarTimes recebe licença nacional num mercado com 2 milhões de assinantes, em queda e pressionado pela pirataria.
A StarTimes, operadora chinesa de televisão por subscrição, recebeu luz verde do Estado para operar em todo o território nacional. Chega a Angola numa altura pouco favorável: o sector está a encolher, o kwanza continua a pesar nos custos e os operadores piratas ganham terreno às três operadoras que até agora dividiam o mercado.
O Despacho Presidencial n.º 408/26, de 6 de Novembro, publicado no Diário da República, I Série, n.º 211, aprova a concessão específica à StarTimes Angola, Limitada, aprova a minuta do contrato a celebrar com o Estado e autoriza a sua assinatura.
O ministro das Telecomunicações, Tecnologias de Informação e Comunicação Social fica com os poderes para concluir o processo e pode subdelegá-los.
O mercado que a StarTimes encontra é pouco animador. No final de 2024, o número de assinantes de televisão em Angola tinha caído quase 2%, para 2,01 milhões. A televisão por satélite, que é o grosso do negócio, ainda resiste com 1,91 milhões de assinantes, menos 0,4%. O cabo, pelo contrário, afunda-se e caiu quase 22%, para 95.341 clientes.
Ao longo de 2024, as plataformas piratas, com pacotes mais baratos, tiraram 35.131 clientes à ZAP, à DStv e à TV Cabo, quase cem por dia.
Os custos também apertam. Todo o equipamento instalado em casa dos clientes é importado, pelo que cada desvalorização do kwanza agrava a estrutura de custos das operadoras.
As operadoras pediram aumentos de preços, mas o INACOM tem travado esses pedidos. Resultado: margens comprimidas e clientes cada vez mais sensíveis ao preço.
É justamente aqui que a StarTimes quer entrar. O grupo, com sede em Pequim, fez carreira em África com pacotes baratos, desenhados para famílias de rendimentos médios e baixos, segmento que as concorrentes tradicionais nunca disputaram a sério.
Num comunicado de 2021, o grupo dizia servir 13 milhões de assinantes de televisão digital e 20 milhões de utilizadores de streaming em mais de 30 países.
A Nigéria é a sua principal praça, com cerca de três milhões de assinantes, segundo a própria empresa. No Quénia, a StarTimes chegou aos 681.170 assinantes num mercado de 1,58 milhões, e continuou a crescer enquanto a DStv perdia clientes.
A operadora está também no Rwanda, na Tanzânia, no Uganda, na Guiné, na RDC e em Moçambique, onde é accionista da TMT, empresa responsável pela transmissão da televisão digital terrestre, ao lado da TVM e da Rádio Moçambique.
O percurso africano do grupo também teve percalços. Na África do Sul, o regulador ICASA mandou a StarTimes suspender a plataforma StarSat em 2024.
A entrada em Angola não é surpresa. Há um ano, em Novembro de 2025, a empresa já tinha manifestado interesse em trabalhar com a RNA e a TPA e anunciado planos de expansão no País, que disse poderem criar emprego para jovens angolanos. Falta saber quanto vai investir, quando lança o serviço e a que preços.



