O Banco da China, Sucursal em Luanda (BOCLB), reportou, no balancete do segundo trimestre de 2026, um abrandamento do ritmo de crescimento face ao trimestre anterior, ainda que os principais indicadores de balanço continuem a evoluir de forma positiva.
O activo total do banco fechou o mês de Junho em 170,5 mil milhões de kwanzas, contra os 142,3 mil milhões registados no final de Março, uma expansão de 19,8%, claramente abaixo dos 31,4% observados no primeiro trimestre do ano, quando o activo passara de 108,3 para 142,3 mil milhões de kwanzas.
A mesma tendência de desaceleração verifica-se na rubrica de recursos de clientes e outros empréstimos, principal fonte de financiamento da instituição. Depois de ter crescido 59,2% no primeiro trimestre de 49,6 para 78,9 mil milhões de kwanzas, a rubrica desacelerou para um crescimento de 35,3% no trimestre seguinte, encerrando Junho em 106,8 mil milhões de kwanzas.
Trata-se da variação mais acentuada entre os indicadores analisados, com uma quebra de quase 24 pontos percentuais na taxa de crescimento trimestral.
Já os fundos próprios do banco mantiveram-se inalterados em 33,9 mil milhões de kwanzas ao longo dos três períodos de referência de 31 de Dezembro de 2025, 31 de Março e 30 de Junho de 2026, sinal de que não houve entradas de capital nem distribuição de resultados no período.
Os únicos movimentos registados nesta rubrica corresponderam a transferências internas entre reservas e resultados transitados, sem qualquer impacto no valor agregado.
O indicador que mais chama a atenção é, no entanto, o resultado líquido. No primeiro trimestre, isoladamente, o banco gerou cerca de 6,46 mil milhões de kwanzas de lucro.
Já no final do primeiro semestre, o resultado líquido acumulado situava-se em cerca de 11 mil milhões de kwanzas, o que significa que o segundo trimestre, por si só, contribuiu com apenas 4,5 mil milhões de kwanzas, uma quebra de 30,2% face à produção de resultado do trimestre anterior.
Ainda assim, quando comparado com o período homólogo, o desempenho mantém-se positivo: o resultado líquido acumulado no primeiro semestre de 2026 superou em 57,8% o valor apurado no mesmo período de 2025, que se tinha fixado em 6,95 mil milhões de kwanzas.
Por detrás destes números está uma base de clientes ainda reduzida, mas em expansão sustentada.
Segundo o Relatório e Contas de 2025 do BOCLB, o número de clientes da sucursal passou de 238, em 2023, para 330, em 2025, um aumento de cerca de 46% em três anos, com uma média de 285 clientes ao longo do período. Só em 2025, a base cresceu 15% face ao ano anterior.
Trata-se, ainda assim, de um número modesto quando comparado com bancos de retalho a operar no mercado angolano, o que reflecte o posicionamento do BOCLB como banco corporativo de nicho, sem vocação para captar clientes particulares em massa.
O relatório não divulga a identidade concreta dos clientes, por força do sigilo bancário, mas descreve o seu perfil-alvo: empresas chinesas a operar em Angola no âmbito da cooperação económica e comercial sino-angolana; empresas angolanas envolvidas em comércio, investimento ou parcerias transfronteiriças com a China; e entidades públicas angolanas, no contexto de projectos de financiamento estratégico entre os dois Estados.
O banco refere estar dedicado a servir esta cooperação e o desenvolvimento económico local, através de produtos como depósitos, empréstimos, transferências, liquidação internacional e financiamento de comércio.
Este universo de potenciais clientes é alimentado por uma comunidade empresarial chinesa historicamente numerosa em Angola, estimada, antes da abertura da sucursal em 2017, em cerca de 230 mil pessoas e várias centenas de empresas.
Grande parte do financiamento chinês aos grandes projectos de infra-estruturas angolanos não passa, contudo, pelo BOCLB enquanto financiador directo, cabendo antes a instituições de desenvolvimento como o Banco de Desenvolvimento da China (CDB) e o Exim Bank da China.
O BOCLB assume, nesse quadro, sobretudo um papel de banco comercial e de correspondência bancária entre os dois países.
O balancete do terceiro trimestre de 2026, com dados adicionais sobre a evolução do banco, deverá ser publicado em Outubro.



