O conflito entre Israel, os Estados Unidos e o Irão, que perturbou a navegação pelo Estreito de Ormuz, abriu uma janela de oportunidade para Angola reforçar a sua posição como fornecedor estratégico de petróleo bruto à Índia.
As refinarias indianas, confrontadas com a interrupção do fornecimento do Médio Oriente, viram-se obrigadas a diversificar as suas fontes de abastecimento, voltando-se para África e para a América Latina. Angola figura entre os principais beneficiários desta reorientação estratégica, ao lado da Nigéria, do Brasil e da Venezuela.
A mudança em direcção ao petróleo africano já havia começado no início deste ano, quando as refinarias indianas procuraram reduzir a dependência do fornecimento russo em contexto de crescente incerteza geopolítica.
A Indian Oil Corporation (IOC) garantiu cerca de seis milhões de barris de produtores da África Ocidental e do Médio Oriente para entrega em Abril, numa clara sinalização de que África ocupa um lugar cada vez mais central na estratégia energética de Nova Deli.
O contexto é favorável a Angola. Os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita tornaram-se particularmente valorizados por disporem de infra-estruturas de gasodutos que permitem contornar o Estreito de Ormuz — precisamente a hidrovia bloqueada pelo conflito. Angola, enquanto produtor atlântico, não depende desta rota, o que representa uma vantagem competitiva significativa no actual quadro geopolítico.
A Índia importou um total de 4,57 milhões de barris de petróleo bruto por dia em Abril, volume semelhante ao de Março, mas 15,5% inferior ao registado no mesmo período do ano anterior — reflexo das perturbações no abastecimento global.
A Rússia mantém-se como o maior fornecedor, seguida pelos Emirados Árabes Unidos e pela Arábia Saudita, com o Brasil em quarto lugar e Angola e Nigéria a ganharem terreno.
Para Angola, cujas receitas petrolíferas continuam a ser o principal pilar da economia nacional, o aumento da procura indiana representa uma oportunidade para diversificar a sua base de clientes e consolidar parcerias energéticas de longo prazo com uma das maiores economias emergentes do mundo.



