Encontram-se concluídas, na província do Cunene, as barragens de NDúe e Calucuve, obras que aguardam agora inauguração oficial, a presidir pelo Presidente da República, João Lourenço, juntamente com os respectivos canais associados.
A empreitada, fiscalizada pela BDM, representa uma nova etapa na luta contra os efeitos da seca, fenómeno que há longos anos flagela o Sul de Angola.
A barragem de NDúe, com capacidade de armazenamento de 170 milhões de metros cúbicos de água, junta-se à de Calucuve, cuja capacidade se cifra em 141 milhões de metros cúbicos. Segundo as projecções, o conjunto das duas infra-estruturas beneficiará directamente mais de 55 mil habitantes, reforçando o abastecimento de água às populações e criando condições mais favoráveis ao desenvolvimento económico e social da região.
O empreendimento contempla, adicionalmente, cerca de 185 quilómetros de canais associados, rede que a firma fiscalizadora considera indispensável à ampliação da distribuição e ao aproveitamento racional dos recursos hídricos naquela província.
Empreiteiras e custos
A construção da barragem de Calucuve esteve a cargo do consórcio Omatapalo/Mota-Engil, tendo o respectivo canal adutor sido adjudicado à construtora chinesa China Road and Bridge Corporation (CRBC). Já a barragem de Ndúe foi erguida pela Sinohydro Angola, cabendo à Guangxi Hydroelectric Construction Bureau Angola (GHCB) a execução do canal adutor associado.
Quanto aos custos, os valores divulgados ao longo dos últimos anos têm variado consoante a fonte e a data. Aquando do lançamento da primeira pedra, em 2021, o Executivo angolano orçava a barragem de Calucuve em 96,4 mil milhões de kwanzas e a de Ndúe em 85,2 mil milhões de kwanzas.
Anos antes, em 2019, os contratos assinados com as empreiteiras chinesas apontavam para valores expressos em dólares — cerca de 192 milhões USD para a barragem de Ndúe e 63 milhões USD para o canal adutor de Calucuve, adjudicado à CRBC. Já em 2023, a imprensa noticiava a barragem de Calucuve orçada em 177 milhões de dólares.
A oscilação reflecte, em larga medida, a desvalorização do kwanza e eventuais revisões de custo ao longo dos quase seis anos de execução da obra.
Em comunicado divulgado a propósito da conclusão dos trabalhos, a BDM afirma congratular-se por ter contribuído para “um projecto de dimensão nacional, que leva água, esperança e novas possibilidades ao Sul de Angola”, fazendo eco do lema que tem norteado a sua actuação: “A desenvolver o amanhã, hoje!”



