As mais recentes projecções do Fundo Monetário Internacional (FMI) apontam para um crescimento de 2,3% da economia angolana em 2026, um valor que fica significativamente abaixo da média prevista para a África Subsaariana, estimada em 4,3%.
O diferencial, superior a dois pontos percentuais, confirma uma tendência que já vem sendo assinalada por diversos analistas: Angola está a perder terreno face a um número cada vez maior de economias do continente.
O Governo angolano, porém, mostra-se bem mais optimista do que as instituições internacionais. O Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2026, aprovado pela Assembleia Nacional e em vigor desde 1 de Janeiro, projecta um crescimento real do Produto Interno Bruto de 4,17% para o presente ano económico. Já o Banco Nacional de Angola (BNA) apresenta uma estimativa intermédia, prevendo um crescimento de cerca de 3,5%, impulsionado sobretudo pelo sector não petrolífero, que deverá crescer 4,5%.
Este fosso entre as previsões oficiais e as das organizações internacionais não é novo. O Banco Mundial, por exemplo, reviu recentemente em baixa a sua previsão para 2,4%, face aos 2,6% estimados em Outubro, um valor ainda assim próximo da leitura do FMI e muito distante da meta traçada pelo Executivo.
Segundo o FMI, este fraco desempenho ganha contornos ainda mais preocupantes quando cruzado com o crescimento demográfico do país. A população angolana aumenta a um ritmo superior a 3,1% ao ano, uma das taxas mais elevadas de África. Nestas condições, mesmo que se confirmasse o cenário mais optimista do Governo, o crescimento do PIB continuaria a revelar-se insuficiente para gerar uma melhoria expressiva no rendimento por habitante.
Na prática, isto significa que a economia angolana está, em termos per capita, a regredir ou a estagnar. O bolo económico não está a crescer ao ritmo necessário para acompanhar o aumento da população, o que se traduz numa fatia cada vez menor para cada angolano — independentemente de qual das projecções, a do Governo ou a das instituições internacionais, se venha a confirmar.
Esta equação ajuda a explicar vários dos principais problemas socioeconómicos que afectam actualmente o país: a persistência de elevados níveis de pobreza, o desemprego generalizado — particularmente grave entre a população jovem — e a contínua erosão do poder de compra das famílias angolanas.
Economistas ouvidos frequentemente por diferentes órgãos de comunicação social têm sublinhado que, sem um crescimento do PIB consistentemente superior ao crescimento populacional, dificilmente se conseguirá inverter a actual trajectória de empobrecimento relativo do país. Alguns analistas têm mesmo questionado a credibilidade das metas inscritas no OGE, apontando um histórico de projecções governamentais sistematicamente mais optimistas do que os resultados efectivamente alcançados.
O verdadeiro desafio que se coloca a Angola não é, portanto, o de simplesmente registar crescimento económico, mas sim o de alcançar um crescimento sustentado e consistentemente acima da taxa de crescimento demográfico. Só nessas condições será possível elevar de forma efectiva o rendimento per capita e caminhar rumo a um desenvolvimento económico verdadeiramente inclusivo.
Enquanto este desígnio não for alcançado, Angola continuará a figurar entre as economias africanas com crescimento mais lento, apesar do seu vasto potencial em recursos naturais e do peso que ainda mantém no panorama económico regional.



