- A África do Sul manifestou o seu apoio ao bilionário Patrice Motsepe, presidente da CAF, para que este venha, eventualmente, a liderar a FIFA.
- Caso seja eleito, tornar-se-á o primeiro africano a chefiar o organismo que rege o futebol mundial.
- Este apoio surge num momento em que se prevê que Gianni Infantino permaneça no cargo até 2031.
- Motsepe não anunciou, até ao momento, qualquer plano de candidatura.
Caso venha a ser eleito após o termo do mandato de Gianni Infantino, Motsepe tornar-se-á o primeiro africano a liderar a FIFA nos 122 anos de história da organização.
O apoio foi manifestado pelo Ministro do Desporto, das Artes e da Cultura da África do Sul, Gayton McKenzie, que classificou Motsepe como o candidato preferido do continente para suceder a Infantino, logo que o presidente da FIFA conclua um novo mandato, o qual o manterá no cargo até 2031.
«Não creio que haja quem discorde deste nome. Assim que o mandato termine, todos nós desejaremos que Patrice Motsepe assuma a FIFA», declarou McKenzie ao jornal City AM.
Motsepe não manifestou publicamente, até à data, qualquer intenção de se candidatar à presidência da FIFA.
Embora uma eventual disputa pela liderança da FIFA se encontre ainda distante no tempo, as declarações de McKenzie constituem um dos sinais públicos mais claros, até ao momento, de que figuras de relevo no futebol africano já vêm posicionando Motsepe como o candidato preferido do continente.
A África exerce uma influência considerável na política da FIFA. A CAF representa cinquenta e quatro das duzentas e onze associações membros da FIFA, constituindo um dos maiores blocos de voto do organismo máximo do futebol mundial.
Motsepe, de 64 anos, é sobretudo conhecido por ter transformado a African Rainbow Minerals numa das maiores empresas mineiras da África do Sul, tornando-se, deste modo, o primeiro bilionário de raça negra do país.
A revista Forbes estima a sua fortuna em cerca de 4,3 mil milhões de dólares, o que o coloca entre os indivíduos mais abastados de África.
Os seus interesses comerciais estendem-se para além da mineração, abrangendo igualmente os serviços financeiros, através da African Rainbow Capital, sendo ainda proprietário do Mamelodi Sundowns, um dos clubes de futebol de maior êxito na África do Sul e no continente africano.
Motsepe assumiu a presidência da CAF em 2021, tendo desde então superintendido reformas destinadas a melhorar as finanças, a governação e o prestígio comercial da organização, na sequência de anos de escândalos de corrupção que haviam manchado a reputação da entidade.
McKenzie atribuiu a Motsepe o mérito de ter introduzido maior profissionalismo e investimento no futebol africano.
Por ora, o dirigente permanece concentrado na liderança da CAF, ao passo que os seus apoiantes continuam a considerá-lo o candidato africano com mais fortes probabilidades de, um dia, vir a assumir o mais alto cargo do futebol mundial.
Este apoio tem menos que ver com um sufrágio ainda distante no tempo do que com o facto de a África estar a sinalizar a sua intenção de reivindicar maior influência na governação do futebol mundial.
Caso Motsepe venha a candidatar-se e a vencer, tratar-se-á da primeira vez que um africano lidera a FIFA, reflectindo o crescente peso político e comercial do continente na modalidade desportiva mais popular do mundo.



