O Ministro de Estado para a Coordenação Económica traçou, nas IV Jornadas do Grupo Parlamentar do MPLA, um balanço da trajectória inflacionista angolana. Os números confirmam a desinflação, mas o Executivo reconhece que a consolidação das contas públicas continua por fazer.
Angola atravessa o período de maior estabilidade de preços desde 2015. Foi esta a conclusão apresentada por José de Lima Massano, Ministro de Estado para a Coordenação Económica, na sessão de abertura das IV Jornadas do Grupo Parlamentar do MPLA, que decorreram no Soyo, província do Zaíre.
Segundo os dados expostos pelo governante, a inflação homóloga fixou-se em 10,11% no mês de Junho, valor que compara com os 27,5% apurados no encerramento de 2024 e com os 15,7% do ano transacto. A inflação média dos últimos doze meses situa-se, por seu turno, nos 14,54%. Quanto à actividade económica, o Produto Interno Bruto cresceu 5,32% em Março, ao passo que o saldo orçamental permanece deficitário, correspondendo a -4,0% do produto relativo ao exercício de 2025.
Na sua exposição, o Ministro de Estado enumerou seis factores que, no seu entender, continuam a pressionar os preços na economia angolana: o défice orçamental, sustentado sobretudo por financiamento interno; a fraca produtividade do aparelho produtivo nacional; a remoção de subsídios aos combustíveis, à electricidade e à água; o custo do crédito, ainda incomportável para os operadores de pequena e média dimensão; as imperfeições persistentes no mercado cambial; e, por fim, os custos logísticos que penalizam o comércio entre as diferentes províncias do país.
O responsável não deixou de sublinhar os efeitos nocivos do fenómeno inflacionista sobre o rendimento das famílias e a actividade empresarial. Segundo Massano, a erosão do poder de compra tem contribuído para o agravamento da pobreza e das desigualdades sociais no país.
A dívida pública, que ascendia a 66,02 mil milhões de dólares norte-americanos em Dezembro findo, foi igualmente apontada como factor de constrangimento à margem de manobra do Executivo na condução da política anti-inflacionista.
Em contrapartida, o Ministro de Estado destacou a recuperação da confiança dos investidores na economia nacional, traduzida no nível recorde de Investimento Directo Estrangeiro captado pelo sector não petrolífero durante o ano de 2025.
Os indicadores facultados pelo Executivo evidenciam progressos assinaláveis no período compreendido entre 2023 e 2025. A taxa de desemprego recuou de 31,9% para 21,3%, já na óptica das recomendações da Organização Internacional do Trabalho, enquanto a insegurança alimentar severa passou de 19,5% para 11,7% da população.
O rácio da dívida pública sobre o produto interno diminuiu de 68,56% para 46,94%, e o Investimento Directo Estrangeiro cresceu de 123,9 milhões para 959,4 milhões de dólares.
De entre os dados avançados, releva-se a alteração estrutural verificada na composição da economia angolana.
O conjunto formado pelo comércio e pelo petróleo reduziu o seu peso de 51,0% para 33,2% do produto interno bruto entre 2024 e 2025, tendo o sector agro-pecuário assumido a liderança sectorial. Não obstante, o petróleo continua a representar entre 90% a 95% das receitas de exportação e 57,2% das receitas fiscais do Estado. A província de Luanda, por seu lado, concentra 31,04% do produto interno bruto nacional.
Quanto ao futuro próximo, o Ministro de Estado identificou como prioridades o reforço contínuo da receita não petrolífera, a manutenção da coordenação entre a política monetária restritiva adoptada pelo Banco Nacional de Angola e a disciplina orçamental do Executivo, a prossecução das reformas estruturais — nomeadamente ao nível da qualidade da despesa pública e da redução das subvenções não produtivas — sem prejuízo da preservação da estabilidade social, e a aceleração da diversificação das exportações não petrolíferas.
Em jeito de balanço final, José de Lima Massano classificou de “progresso real” a trajectória percorrida pela economia angolana, recordando que a inflação homóloga recuou de 27,5%, em 2024, para 15,7%, em 2025, e para os actuais 10,11%. Contudo, o governante fez questão de vincar que subsistem desafios de consolidação que impõem a continuidade das reformas estruturais em curso.
Entre as conquistas alcançadas, destacou a desinflação sustentada, a redução do desemprego, o crescimento do sector não petrolífero, a diminuição da insegurança alimentar severa e a ascensão de Angola à 6.ª posição entre as maiores economias do continente africano.



