A Anglo American Angola apresentou esta terça-feira, 30 de junho, na comuna de Calunda, município de Mucondo, o Projeto de Prospeção de Cobre no Saliente de Cazombo, posicionando a iniciativa como peça estratégica para reforçar o potencial mineiro do país numa região historicamente associada à exploração de cobre na África Austral e Central.
O argumento central da empresa assenta na geologia: o copperbelt que atravessa Zâmbia, República Democrática do Congo e Angola estende-se por cerca de 300 quilómetros, e Angola ocupa apenas uma fração ainda pouco explorada dessa faixa mineira.
Para o Diretor-Geral da Anglo American Angola, Benvindo Calunga, esta continuidade geológica representa “uma oportunidade ímpar para o país consolidar a sua posição como um dos principais destinos de investimento no setor mineiro africano” — uma forma de inscrever Cazombo no mapa de uma indústria que já gera receitas bilionárias do outro lado da fronteira.
A apresentação foi feita à delegação do Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás (MIREMPET), chefiada pelo Secretário de Estado para os Recursos Minerais, Jânio Corrêa Victor, e acompanhada pelo Vice-Governador do Moxico Leste, Camilo Supula — sinal de que o projeto já capta atenção governamental ao nível provincial e central, numa altura em que Luanda procura diversificar a economia para além do petróleo.
Mas o entusiasmo geológico esbarra em constrangimentos práticos que a própria empresa não escondeu. Entre os principais obstáculos identificados estão o mau estado das infraestruturas rodoviárias de acesso, as limitações logísticas resultantes da distância face aos centros de abastecimento, e a ausência de unidades de saúde na região — fatores que, a manterem-se, podem condicionar tanto o ritmo da prospeção como a viabilidade de uma futura fase de exploração.
No capítulo da responsabilidade social, a Anglo American afirma manter diálogo permanente com doze comunidades locais, representadas pelos respetivos sobas. Calunga resumiu o objetivo da empresa nesta frente como o de “transformar pedidos individuais em projetos de responsabilidade social que beneficiem todas as comunidades envolvidas” — uma abordagem que tenta antecipar tensões comuns em projetos mineiros de grande escala, onde expectativas locais e cronogramas empresariais nem sempre coincidem.



