Angola poderá em breve ter uma nova opção no transporte por aplicativo — desta vez, de raiz africana.
A VaMijo, plataforma lançada pela empresa ganense Afrifanom (anteriormente Vokacom), confirma o país entre os próximos destinos da sua expansão pelo continente, a par da República Democrática do Congo e da Guiné Equatorial.
O anúncio foi feito pelo fundador e director executivo, Nana Osei Afrifa, que ambiciona fazer da VaMijo a principal concorrente da Uber e da Bolt em toda a África.
Segundo Afrifa, estes três mercados já manifestaram interesse na chegada da VaMijo, expressão que, em língua ewe, significa “vamos lá”, e a empresa promete não desembarcar em Angola com um modelo importado e desajustado à realidade nacional.
Pelo contrário: garante equipas de tecnologia locais, gestão local e serviços moldados às particularidades de cada país, em vez de uma fórmula única aplicada indistintamente a todo o continente.
“Cada nação é diferente da outra. A maioria das pessoas adopta políticas padronizadas que nunca funcionam”, afirmou Afrifa ao The Africa Report, numa crítica pouco disfarçada às multinacionais que, ao longo dos anos, tentaram vender a África um único modelo de negócio, sem atender às diferenças entre mercados como o angolano, o ganense ou o congolês.
Se Angola vier a confirmar-se como destino da expansão, fá-lo-á num momento em que a VaMijo procura consolidar-se em casa.
Desde o lançamento comercial no Gana, em Maio, a plataforma já realizou 31.614 viagens, angariou 10.857 clientes e registou 3.350 motoristas, que arrecadaram, em conjunto, mais de 1,67 milhões de cedis, cerca de 143 mil dólares.
Números ainda modestos face aos das gigantes Uber e Bolt, mas suficientes para revelar que o público ganense está disposto a confiar numa alternativa local.
É essa, aliás, a promessa que Afrifa leva consigo para além-fronteiras: não competir pelo preço mais baixo, nem pretender ser a marca mais cara, mas oferecer um serviço “feito por africanos, para africanos”, filosofia que, a confirmar-se a entrada em Angola, poderá alterar o panorama do transporte por aplicativo no país.
Convém recordar que o mercado angolano está longe de ser terreno virgem. À chegada da VaMijo, a plataforma ganense encontrará pela frente nomes já bem implantados, como a Yango e a Heetch — pioneiras internacionais no sector, além da Bolt, entrada mais recente, e de operadores nacionais como a UGO e a Anda, que já não se limita ao moto-táxi e disputa também o segmento dos automóveis, alargando a concorrência no transporte de passageiros nas principais cidades do país.



