O magnata nigeriano Aliko Dangote viu o seu património líquido subir de forma vertiginosa, aproximando-se da fasquia simbólica dos 58,2 mil milhões de dólares, após a entrada em bolsa da sua refinaria petrolífera, avaliada em 20 mil milhões de dólares. Segundo o índice em tempo real da Forbes, a fortuna do homem mais rico de África saltou de 28,5 mil milhões para 51,3 mil milhões de dólares, um crescimento notável impulsionado pelo lançamento da Oferta Pública Inicial (IPO) da Refinaria Dangote.
A operação, lançada esta semana na Bolsa de Valores da Nigéria (NGX), em Lagos, colocou em jogo 4,1 mil milhões de novas ações ordinárias, a 525 nairas cada, numa tentativa de angariar 2,15 biliões de nairas. Trata-se da primeira refinaria a ser cotada na praça financeira nigeriana — um marco histórico para o sector energético do país e para o continente africano.
Nem todas as agências financeiras concordam, porém, quanto ao valor exacto da fortuna de Dangote. Enquanto a Forbes revê em alta a avaliação, a Bloomberg mantém-se mais cautelosa, fixando o património do empresário em 35,3 mil milhões de dólares, com uma ligeira variação diária negativa de 84,7 milhões, mas um acumulado anual positivo de 5,34 mil milhões. Já o Financial Times aponta para um valor intermédio, próximo dos 49 mil milhões de dólares, após uma avaliação accionista estimada em cerca de 63 biliões de nairas.
Antes do lançamento do IPO, a própria Bloomberg havia projectado que a fortuna do industrial nigeriano poderia disparar em 23 mil milhões de dólares, alcançando os 58,2 mil milhões — um valor sem precedentes para qualquer africano na história moderna. Caso este cenário se confirme, Dangote ultrapassaria nomes de peso como Jack Ma e MacKenzie Scott, aproximando-se de bilionários do calibre de Charles Koch e Mukesh Ambani.
Apesar de a fase inicial da IPO estar reservada ao mercado nigeriano, Dangote garantiu que a refinaria será, a prazo, aberta ao investimento de toda a África. Não é segredo que o interesse já ultrapassa as fronteiras da Nigéria: bolsas de valores da África do Sul, Egipto, Gana, Quénia e Ruanda têm mantido conversações com os consultores financeiros da refinaria, procurando abrir caminho para que investidores desses mercados possam também participar na venda de acções.
Com a operação, a Dangote espera angariar, no mínimo, 1,6 mil milhões de dólares, correspondentes a cerca de 3,3% do capital da refinaria.
O projecto industrial, já apontado como a maior refinaria de trem único do mundo, não pretende ficar-se por aqui: a capacidade de produção, actualmente fixada em 700 mil barris diários, deverá duplicar para 1,4 milhão de barris por dia até 2029 — uma expansão que reforça as perspectivas de valorização do activo a médio e longo prazo, e que consolida a posição de Dangote como um dos protagonistas incontornáveis da economia africana.
Dangote aproxima-se dos 60 mil milhões de dólares após estreia em bolsa da sua refinaria
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