Angola ficou de fora da primeira vaga de países parceiros do Banco Mundial para os minerais críticos, anunciada em Bangkok.
A instituição prevê aplicar 19 mil milhões USD no sector até 2030, no âmbito de um quadro comum lançado por seis bancos multilaterais para apoiar a cadeia, da extracção à transformação. A exploração de terras raras que o País se prepara para iniciar no Huambo poderá, ainda assim, vir a beneficiar do novo mecanismo.
Angola não figura entre os países que, em Bangkok, anunciaram planos de parceria com o Banco Mundial no domínio dos minerais críticos. Oito países apresentaram planos com prioridades e metas definidas, quatro dos quais africanos: Egipto, Malawi, Mauritânia e Zâmbia. De acordo com a revista Jeune Afrique, também a Guiné-Conacri concluiu um acordo da mesma natureza. O Banco Mundial identificou ao todo 20 países susceptíveis de se tornarem parceiros, sem tornar pública a lista completa.
Os anúncios surgem na sequência de um quadro de cooperação apresentado por seis bancos multilaterais de desenvolvimento: o Banco Mundial, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o Banco Asiático de Desenvolvimento, o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD), o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento.
O documento foi divulgado à margem das reuniões anuais do Fundo Monetário Internacional e do Grupo Banco Mundial, que decorreram em Bangkok.
O Banco Mundial estabeleceu metas próprias. A 16 de Outubro, o presidente da instituição, Ajay Banga, anunciou o propósito de quintuplicar a actividade no segmento dos minerais críticos no espaço de cinco anos. Estão previstos 19 mil milhões USD de financiamento para o período 2026-2030, contra 3,6 mil milhões USD nos cinco exercícios anteriores.
A ausência da primeira vaga não fecha, porém, a porta ao País. A exploração de terras raras que Angola se prepara para iniciar na província do Huambo enquadra-se nos objectivos do novo quadro.
As instituições propõem-se acompanhar os produtores nas fases de exploração, processamento, refinação, fabrico e reciclagem, de modo a que retenham maior valor acrescentado, criem emprego e diversifiquem as respectivas economias. Refira-se que África detém cerca de 30% das reservas mundiais de minerais críticos, mas a sua participação na transformação continua a ser reduzida.
Os instrumentos previstos destinam-se, precisamente, a projectos com o perfil de risco de uma nova mina. Entre eles figuram o co-financiamento, as garantias, a partilha de risco, o financiamento assegurado por contratos de compra da produção, a cobertura de derrapagens de custos e a participação no capital de projectos em fase inicial.
Os bancos admitem ainda apoiar corredores mineiros que integrem electricidade, transportes, logística, água e telecomunicações, ligando as minas às zonas industriais e aos portos.
Acresce que o quadro não configura um fundo comum. A sua aplicação é voluntária e flexível, cabendo a cada banco intervir no âmbito do respectivo mandato e dos recursos de que dispõe.
Ouvido pela Jeune Afrique, Ousmane Diawara, sócio da EY, adverte para o risco de uma burocracia excessiva esvaziar a iniciativa e sustenta que o essencial reside na rapidez com que as intenções se convertam em investimentos concretos. Os financiadores, acrescenta, já não excluem investir directamente em projectos de extracção e de transformação.



