A Falcon Oil pretende desfazer-se dos 24% que detém no bloco de águas rasas operado pela Etu Energias, para concentrar recursos no Bloco 17/06, onde duplicou a participação em Julho, e nas próximas licitações.
A Falcon Oil, do Grupo António Mosquito (GAM), procura comprador para a participação de 24% que detém no Bloco 2/05, avançou recentemente a newsletter Africa Monitor Intelligence. De acordo com a publicação, que cita fontes do sector petrolífero, a empresa pretende reforçar a sua posição financeira e canalizar o investimento para o Bloco 17/06 e para as futuras licitações de blocos no País.
O Bloco 2/05, actualmente em produção, situa-se em águas rasas e tem como operador a Etu Energias, antiga Somoil, com 36%. O grupo empreiteiro é integralmente composto por empresas de capitais angolanos: além da Falcon Oil, com 24%, figuram a Prodoil, com 15%, e a Kotoil e a Poliedro, com 12,5% cada uma.
A Falcon Oil reforçou a posição no bloco em 2023, na sequência da saída da ACREP, que alienou a totalidade dos seus 12,5%. Os parceiros exerceram o direito de preferência e repartiram a participação na proporção das respectivas posições, cabendo à Falcon Oil mais 4%. À data, a produção do bloco rondava os 22 mil barris por dia.
Nesse mesmo ano, a Falcon Oil e os restantes três parceiros não operadores recusaram-se a subscrever o acordo firmado entre a Etu Energias e a prestadora de serviços petrolíferos SLB, antiga Schlumberger, destinado ao aumento da produção do bloco.
O plano, orçado em perto de mil milhões USD, seria suportado pelos parceiros na proporção das suas participações. Os quatro alegaram não ter sido consultados previamente.
A aposta da petrolífera de António Mosquito passa agora pelas águas profundas.
Em Julho, a Falcon Oil elevou de 5% para 10% a participação no Bloco 17/06, mediante a cessão de parte da posição da Sonangol Exploração e Produção, autorizada por despacho do ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás. A Sonangol passou de 30% para 25%. O valor da operação não foi divulgado.
O Bloco 17/06 é operado pela TotalEnergies, com 30%, e conta ainda com a SSI Seventeen, participada pela Sonangol e pela chinesa Sinopec, com 27,5%, a Sonangol, com 25%, a Falcon Oil, com 10%, e a Etu Energias, com 7,5%.
O primeiro desenvolvimento do bloco, o projecto Begónia, entrou em produção em Julho de 2025, com cinco poços submarinos ligados à unidade flutuante de produção Pazflor, no vizinho Bloco 17. Em Maio último, o bloco produzia cerca de 38 mil barris por dia.
Fundada por António Mosquito em 1998, no Panamá, a Falcon Oil atravessou um período difícil em meados da década passada. Segundo o Africa Oil+Gas Report, entre 2014 e 2015 o então Ministério dos Petróleos retirou-lhe as posições nos Blocos 18/06, 6/06 e 15/06, por reservas quanto à sua capacidade financeira, numa altura em que o grupo acumulava dívidas superiores a 200 milhões USD ao Estado.
A empresa recuperou nos anos seguintes e, em 2015, foi a petrolífera de capitais nacionais que registou o maior crescimento da produção.



