A Discover Airlines, transportadora de lazer do grupo Lufthansa, confirmou ontem que uma escassez temporária de combustível de aviação no Aeroporto Internacional Hosea Kutako, em Windhoek, está a perturbar as suas ligações à Europa.
De acordo com fonte oficial do grupo, a situação não resulta de uma crise generalizada de abastecimento na região austral de África, mas sim de dificuldades operacionais registadas junto do fornecedor local, a Vitol. Um porta-voz da Lufthansa Group adiantou que o grupo enfrenta, presentemente, uma escassez local e temporária de combustível junto dos seus fornecedores no aeroporto de Windhoek.
Para contornar as dificuldades, algumas aeronaves que asseguram as ligações entre Windhoek e as cidades alemãs de Frankfurt e Munique passaram a fazer escala técnica em Angola, onde reabastecem antes de prosseguir viagem. A Discover mantém, para já, dez voos semanais nestas duas rotas.
Segundo apurou a Vivo Energy Namibia, unidade local da Vitol encarregue do fornecimento de combustível no país, um carregamento recebido no porto de Walvis Bay não passou nos testes de qualidade de rotina, tendo sido retirado de circulação — facto que agravou a falta de abastecimento no aeroporto.
A Namíbia depende quase por inteiro da importação de derivados de petróleo, nomeadamente gasolina, gasóleo e combustível de aviação, provenientes sobretudo do Médio Oriente. Em Maio último, o Ministério da Energia namibiano concedera à Vitol um contrato de exclusividade de três meses para o fornecimento de combustível, medida destinada a conter a volatilidade dos preços associada à guerra no Irão.
A escassez não se limita, porém, aos voos de passageiros. O partido da oposição Independent Patriots for Change (IPC) denunciou que a Lufthansa Cargo notificara por escrito os seus clientes, a 19 de Agosto, de que não lhe era possível transportar carga a partir de Windhoek. Segundo essa comunicação, a restrição vigoraria até 23 de Agosto, prazo que, todavia, poderá ser prorrogado consoante a evolução da situação.
A Namibia Airports Company, entidade gestora dos aeroportos do país, declarou estar ciente das dificuldades no fornecimento de combustível Jet A-1 e garantiu estar a trabalhar em articulação com fornecedores, autoridades governamentais, companhias aéreas e demais operadores do sector da aviação, no sentido de minimizar os transtornos causados aos passageiros e operadores de carga.
O episódio reacendeu, entretanto, o debate sobre a dependência da Namíbia de um único fornecedor de combustível de aviação. Vozes do sector consideram que o combustível de aviação constitui infra-estrutura crítica e que o país deverá rever, com urgência, o modelo de fornecimento exclusivo actualmente em vigor.
Até ao momento, não há registo de suspensão total dos serviços entre a Namíbia e a Europa.
Os voos prosseguem normalmente, com escalas técnicas adicionais em Angola sempre que necessário, enquanto as equipas de aprovisionamento de combustível e o pessoal de terra da Discover Airlines procuram, entretanto, soluções que permitam normalizar o abastecimento em Windhoek nos próximos dias.



