Álvaro Teixeira Costa Fernão assumiu, em finais de 2024, a presidência do Conselho de Administração do Instituto de Gestão de Activos e Participações do Estado (IGAPE), nomeado pela ministra das Finanças, Vera Daves, em substituição de Vera Tangue Escórcio.
O seu percurso foi construído quase inteiramente dentro do aparelho financeiro do Estado: foi director do gabinete de auditoria e integridade institucional da Administração Geral Tributária, administrador não executivo do Banco Nacional de Angola desde 2022 — cargo em que presidiu ao Conselho de Auditoria e ao Comité de Controlos Internos —, Director Nacional da Contabilidade Pública entre 2018 e 2020, e coordenador de Operações da Sonangol Limited, responsável pela articulação entre os intervenientes no processo de exportação de petróleo bruto.
Já à frente do IGAPE, o gestor esteve associado a operações de vulto, de que é exemplo a entrada da Unitel na Bolsa de Dívida e Valores de Angola, operação avaliada em cerca de 300 mil milhões de kwanzas. Garantiu aos cerca de onze mil novos accionistas da operadora que os títulos por si adquiridos não seriam revertidos, não obstante continuarem pendentes em tribunal acções judiciais relativas à nacionalização da empresa. Adiantou, de resto, que a próxima operação em bolsa deverá ser protagonizada pelo Standard Bank Angola.
O Programa de Privatizações, lançado em 2019 com uma lista inicial de cerca de 195 empresas e activos — posteriormente revista para 170 e, mais tarde, para 130 —, constitui hoje o principal dossier da sua gestão.
As receitas têm registado crescimento sustentado: 371,9 mil milhões de kwanzas arrecadados entre 2019 e 2020, com a alienação de 35 activos; cerca de 960 mil milhões gerados até 2023, correspondentes a 93 processos concluídos; 1,275 biliões contratados até ao encerramento de 2025, dos quais mais de 700 mil milhões já cobrados; e, segundo os dados mais recentes, divulgados em 2026, mais de mil milhões de kwanzas arrecadados desde 2023, com 121 dos 130 activos previstos já privatizados e mais de sete mil postos de trabalho directos criados.
Os objectivos traçados para o programa — que, segundo Fernão, não se esgotam na arrecadação de receitas, estendendo-se à eficiência das empresas públicas, à atracção de investimento privado e à melhoria da governação corporativa — encontram-se apenas parcialmente cumpridos. O programa deveria ter-se concluído em 2022; foi, entretanto, prorrogado para 2026 e circunscrito a um núcleo restrito de activos estratégicos de maior dimensão, entre nove e dez, de que fazem parte dossiers sensíveis como a Angola Telecom, a TAAG e a Sonangol.
Cerca de 17 por cento do valor contratual fixado permanecia por liquidar em meados de 2026, e a privatização da Sonangol, uma das operações mais aguardadas, continua sem qualquer actualização substantiva por parte do Governo. A aceleração recente do programa é lida por analistas como parte de um esforço do Executivo para encerrar o ciclo de reformas antes das eleições gerais de 2027.
Paralelamente à condução do programa de privatizações, Fernão tem sido a voz pública de uma reforma institucional de maior alcance: a transformação do próprio IGAPE numa Sociedade Gestora de Participações Sociais.
A ideia, já antiga, ganhou contornos concretos em 2026, após o Parlamento ter autorizado o Presidente da República a legislar sobre o regime jurídico das SGPS.
Segundo o gestor, a mudança de estatuto não constitui simples formalidade administrativa, mas antes o reflexo de uma nova concepção quanto à forma como o Estado angolano pretende relacionar-se com as empresas de que é accionista, aproximando a sua actuação dos padrões de gestão adoptados pelas grandes holdings do sector privado, nos quais o desempenho e a rentabilidade dos activos passam a constituir critérios centrais de avaliação.



