A Airtel Africa e a Starlink lançaram, no passado dia 14 de Agosto de 2026, o serviço comercial de conectividade satélite-telefone na República Democrática do Congo, marcando o primeiro passo efectivo de um projecto que a operadora pretende, oportunamente, estender aos restantes mercados onde mantém presença no continente africano.
De acordo com o anunciado, os aparelhos Android compatíveis passam a poder ligar-se directamente aos satélites da Starlink nas zonas onde a rede terrestre da Airtel não dispõe de cobertura. O serviço inicial cinge-se, para já, ao envio de mensagens SMS e a algumas aplicações de reduzido consumo de dados, entre as quais se conta o WhatsApp.
Diferentemente do serviço de internet tradicional prestado pela Starlink, os clientes não necessitam de adquirir nem de instalar qualquer antena parabólica. Os telemóveis compatíveis ligam-se directamente aos satélites, os quais funcionam, na prática, como verdadeiras torres de telefonia móvel colocadas no espaço. Trata-se, pois, de uma solução que ainda não contempla internet de alta velocidade sem restrições, streaming de vídeo, ou a generalidade dos serviços disponibilizados numa rede móvel convencional.
Sobre este lançamento, pronunciou-se o presidente executivo da Airtel Africa, Sunil Taldar, para quem a estreia comercial do Starlink Mobile em solo africano representa um marco assinalável para a companhia, alcançado por via da parceria estabelecida com a SpaceX.
Segundo o gestor, a conjugação da rede terrestre da Airtel com a tecnologia satélite da Starlink permite alargar a conectividade essencial para além dos limites impostos pela infra-estrutura móvel convencional.
Taldar adiantou, por outro lado, que a experiência recolhida com o lançamento na República Democrática do Congo há-de sustentar a expansão gradual do serviço aos demais mercados da Airtel Africa, estando esta, no entanto, sujeita às competentes aprovações regulatórias em cada um dos países visados.
Para a Starlink, este lançamento representa, de resto, uma significativa reviravolta na República Democrática do Congo. Recorde-se que as autoridades congolesas haviam, anteriormente, proibido o funcionamento dos terminais Starlink, invocando o receio de que a tecnologia pudesse vir a ser utilizada por grupos armados, entre os quais o movimento M23, apoiado pelo Rwanda e que actua na região leste do país.
Tal cenário viria a alterar-se em 2 de Maio de 2025, data em que a Autoridade Reguladora de Correios e Telecomunicações do Congo concedeu à Starlink DRC SA uma licença de rede e serviços de telecomunicações.
Na sequência desta decisão, tornou-se disponível na República Democrática do Congo o serviço convencional de banda larga por satélite da Starlink, o qual exige, contudo, a instalação de equipamento próprio e dedicado.
Já a mais recente solução lançada pela Airtel distingue-se por dispensar tal equipamento, na medida em que estabelece a ligação directa entre os telemóveis e os satélites, sem necessidade de terminal ou antena parabólica.
O plano da Airtel para os 14 mercados
A parceria Direct-to-Cell entre a Airtel Africa e a SpaceX havia sido anunciada em 16 de Dezembro de 2025.
Nos termos do acordo então firmado, a Airtel projecta introduzir a tecnologia de satélite-para-telefone da Starlink na totalidade dos 14 mercados africanos onde opera, a saber: Nigéria, Quénia, Uganda, Tanzânia, Zâmbia, Malawi, Rwanda, Níger, Tchad, Gabão, Seychelles, Madagáscar, República do Congo e República Democrática do Congo.
As duas companhias haviam já testado, com resultados positivos, as capacidades de dados e de mensagens do Starlink Mobile no Quénia, em Março de 2026, tendo os ensaios decorrido em localidades desprovidas de cobertura da rede terrestre da Airtel. É, pois, a República Democrática do Congo que se afirma, agora, como o primeiro mercado a transitar da fase experimental para o acesso comercial propriamente dito.
Segundo dados avançados pela Airtel, a Starlink conta, presentemente, com cerca de 650 satélites preparados para suportar ligações directas com telemóveis, prevendo as duas empresas recorrer, futuramente, a uma nova geração de satélites destinada a proporcionar serviços de dados sensivelmente mais rápidos.
Convém, no entanto, sublinhar que a expansão anunciada não reveste carácter automático, estando a Airtel e a SpaceX obrigadas a obter, em cada um dos mercados visados, as necessárias aprovações regulatórias e de espectro, antes de procederem à activação efectiva do serviço.
A presente parceria poderá, ainda assim, reforçar a posição concorrencial da Airtel face à MTN, à Vodacom e a outras operadoras de telecomunicações africanas que têm procurado recorrer aos satélites de órbita baixa como forma de alargar a sua cobertura. Refira-se que a Vodacom mantém, também ela, uma parceria com a Starlink, abrangendo diversos mercados do continente africano, ao passo que a Amazon prevê começar a disponibilizar, na África do Sul, o seu próprio serviço concorrente de internet por satélite, a partir de 2027.
Por ora, é a República Democrática do Congo que proporciona ao continente africano o primeiro teste comercial de vulto sobre a possibilidade de a conectividade satélite directa vir a ultrapassar a fase das simples demonstrações, convertendo-se num serviço de utilidade prática ao alcance do cliente móvel comum.



