A Shell está a preparar-se para deixar o mercado de retalho de combustíveis da África do Sul. A petrolífera britânica negoceia a venda da sua divisão downstream no país à Abu Dhabi National Oil Company (ADNOC), numa transação avaliada em cerca de US$ 1 bilião, que daria à empresa dos Emirados Árabes Unidos o controlo de cerca de 580 postos de combustível e 360 lojas de conveniência — quase 10% do mercado retalhista sul-africano.
Esta decisão surge num momento em que a Shell avança com mais uma reestruturação significativa dos seus negócios na África do Sul. Em março, a empresa já tinha confirmado que continuava a negociar a venda dos seus ativos de distribuição no país — um movimento que pode encerrar mais de um século de presença da Shell no retalho de combustíveis sul-africano.
Em abril, a Shell entrou em negociações avançadas com a ADNOC para a venda da sua divisão de refino e distribuição, num negócio também avaliado em cerca de US$ 1 bilião.
Caso se concretize, a transação transferirá para a ADNOC Distribution o controlo da Shell Downstream South Africa, incluindo os cerca de 580 postos de serviço (próprios e de revendedores) e as aproximadamente 360 lojas de conveniência. O acordo abrange ainda as operações de distribuição de combustíveis da Shell, os negócios de combustível para aviação e marítimo, e a divisão de lubrificantes.
Em 2025, a rede vendeu cerca de 3,5 bilhões de litros de combustível, um número que ilustra a dimensão da presença da Shell no país. Com a conclusão do negócio, a ADNOC passaria a deter quase 10% do mercado retalhista de combustíveis sul-africano.
A transação deverá ser concluída em 2027, ficando sujeita às aprovações regulatórias necessárias. No conjunto, estes movimentos sinalizam uma mudança relevante na posição da Shell na África do Sul: a empresa enfrenta reveses na exploração de recursos offshore no país, ao mesmo tempo que avança para vender o negócio de refino e distribuição que sustentou a sua presença na região durante gerações.



