O Presidente da República de Angola, João Lourenço, figura, uma vez mais, na lista dos “Mais Poderosos”, elaborada anualmente pelo Jornal de Negócios, ocupando este ano a 27ª posição, a mesma que lhe coubera no exercício transacto.
Segundo pôde apurar aquele jornal português, o Chefe de Estado angolano tem centrado as suas atenções, sobretudo, no plano interno, visando manter-se à frente dos destinos do MPLA e, bem assim, escolher quem lhe há-de suceder no Palácio da Cidade Alta.
Tais desígnios ganham particular acuidade num momento em que se aproximam dois marcos incontornáveis da vida política nacional: o congresso do partido, agendado para Dezembro próximo, e as eleições gerais, que deverão realizar-se em Setembro de 2027.
No que respeita às relações com Portugal, refira-se que as mesmas se mantêm estáveis e isentas de quaisquer factores de irritação, muito embora, no plano económico, se atravesse um período que o Jornal de Negócios classifica de marasmo, susceptível de vir a ser reactivado caso a petrolífera lusa Galp decida retomar investimentos na prospecção em território angolano.
Segundo a mesma fonte, o Presidente João Lourenço distingue-se por não pautar a sua acção governativa em função de eventuais críticas veiculadas pela opinião pública, mantendo o controlo da agenda política de acordo, tão-somente, com a sua própria vontade.
Tal postura contrasta, note-se, com a que se observa junto de diversos dirigentes europeus e norte-americanos, mais sujeitos à pressão exercida pelas redes sociais e pela chamada comunicação instantânea.
De acordo com o Jornal de Negócios, o corrente ano tem-se revelado particularmente favorável ao Presidente angolano, do ponto de vista das finanças públicas. Com efeito, a guerra no Irão fez subir o preço do petróleo, proporcionando um alívio significativo às contas do Estado angolano. Só no segundo trimestre deste ano, o país arrecadou cerca de 7,75 mil milhões de dólares em resultado directo desta conjuntura.
Tabela de critérios (segundo avaliação do Jornal de Negócios):
• Poder da fortuna: 1 em 5 estrelas
• Rede empresarial: 3 em 5 estrelas
• Influência política: 4 em 5 estrelas
• Influência mediática: 4 em 5 estrelas
• Perenidade: 3 em 5 estrelas
A teia de influência do Presidente João Lourenço
O infográfico que acompanha a reportagem do Jornal de Negócios dá conta das figuras que compõem o círculo mais próximo do Chefe de Estado angolano, bem como da natureza da influência que cada uma delas exerce:
• Vera Daves de Sousa — Ministra das Finanças, à frente do programa de privatizações, tem logrado atingir as metas traçadas, não obstante já ter, em ocasiões anteriores, discordado publicamente do Presidente.
• José de Lima Massano — Ministro de Estado para a Coordenação Económica, é tido como um dos rostos da modernidade governativa e da promoção do país no estrangeiro, gozando da confiança do Chefe de Estado.
• Nelson Carrinho — Lidera o grupo empresarial que tem o seu nome, um dos que mais tem investido em Angola, sendo apontado pelo Governo como exemplo a seguir.
• Fernando Miala — Reabilitado por João Lourenço em 2018, dirige, desde então, os serviços de inteligência do Estado, integrando o núcleo restrito de pessoas cuja opinião é capaz de influenciar o Presidente.
• Ana Dias Lourenço — Primeira-dama da República, já exercera funções ministeriais e ocupara cargos de relevo no estrangeiro, dispondo de conhecimentos que lhe permitem aconselhar o Presidente em matérias económicas e de influência institucional.
• Carlos Mota dos Santos —
• Accionista da Mota-Engil, empresa com participação no corredor do Lobito, é tido como uma ponte importante com os Estados Unidos, para além de manter presença destacada em Angola.
• Paulo Pombolo — Secretário-geral do MPLA, é classificado como executor diligente das directrizes emanadas pelo Presidente, assumindo particular relevância no contexto do congresso partidário de Dezembro.
• Carlos Feijó — Jurista, tem-se tornado cada vez mais relevante junto do Chefe de Estado, sendo chamado com frequência ao Palácio da Cidade Alta, dispondo de margem de manobra para exprimir livremente o seu pensamento.
• Edeltrudes Costa — Director do gabinete da Presidência da República, é uma das figuras mais próximas de João Lourenço, sendo o seu poder efectivo: tudo passa por ele e nada se faz sem a sua avaliação.
• Pedro Mendes de Carvalho — Foi a personalidade escolhida por João Lourenço para suceder a Hélder Pitta Grós no cargo de procurador-geral da República, ocupando, nessa medida, lugar de confiança.
• Ricardo Viegas d’Abreu — Ministro dos Transportes, mantém relação de proximidade com o Presidente, sendo a sua relevância reforçada pelo facto de ter a seu cargo projectos de vulto, como o corredor do Lobito.
• José Ferreira Tavares — General com interesses no sector diamantífero, não ocupando cargo governamental, é, ainda assim, frequentemente consultado pelo Presidente para tratar de determinados assuntos.
• Luís Montenegro — Primeiro-ministro português, reforçou a linha de crédito destinada a apoiar empresas lusas interessadas em investir em Angola. As relações são estáveis e cordiais, ainda que exista pouca proximidade pessoal.
• Manuel Homem — Ministro do Interior, chegou a ser referido como eventual sucessor de João Lourenço. Perdeu esta corrida, mas continua influente na gestão da máquina partidária.
• Adão de Almeida — Presidente da Assembleia Nacional de Angola, já fora ministro de Estado e Chefe da Casa Civil, função que lhe permitiu cultivar relação de proximidade com o Presidente.
• Cristina Dias Lourenço — Filha de João Lourenço, lidera a Bolsa de Dívida e Valores de Angola, tendo levado a bom porto o IPO que o Governo tem promovido ao longo do último ano. Mantém-se discreta.
• Luís Nunes — Dono da Omatapalo, um dos grupos económicos mais relevantes de Angola e uma das maiores executoras de obras públicas do país. É, igualmente, governador da província de Luanda.
Depreende-se, do conjunto ora exposto, que o poder do Presidente João Lourenço assenta numa rede que conjuga laços familiares, o aparelho do MPLA, os serviços de segurança do Estado, destacados empresários e figuras de proa da administração pública — equilíbrio esse que, segundo o Jornal de Negócios, será posto à prova nos próximos meses, por ocasião do congresso partidário e da preparação da sucessão presidencial, tendo em vista as eleições gerais de 2027.



