A publicação francesa Jeune Afrique divulgou o seu mais recente ranking dos 20 países africanos com melhor desempenho, com base em três critérios fundamentais: governança, influência e inovação. A África do Sul lidera de forma destacada, com uma pontuação de 63,13 pontos, muito acima do segundo classificado.
O ranking de 2026, que avalia os países com base na qualidade da sua governança, na sua capacidade de influência e na sua inovação, está a ser impactado por mudanças fundamentais. As primeiras impressões podem ser encontradas no top 5, que inclui a África do Sul, as Maurícias, a Namíbia, Marrocos e a Nigéria.
Para a elaboração do ranking, foram considerados 24 indicadores por cada um dos três critérios avaliados, com dados abrangendo o período de 2022 a 2024, e informações actualizadas até 2025 em alguns casos.
A governança, que representa 50% da pontuação final, integra indicadores de desempenho económico — como o crescimento do PIB per capita, a capacidade de arrecadação fiscal e os fluxos de investimento estrangeiro directo — bem como medidas de qualidade institucional, nomeadamente o Índice de Estado de Direito do World Justice Project e o Índice Ibrahim de Governança Africana. Os países que tenham sofrido um golpe de Estado nos últimos três anos são penalizados.
A influência e a inovação dividem igualmente os restantes 50% da pontuação. A influência considera onze indicadores, incluindo a rede diplomática, a contribuição para missões de paz da ONU e o turismo. A inovação assenta em seis indicadores, como os níveis de educação medidos pelo PNUD, o financiamento de startups (Partech) e o número de patentes registadas junto da OMPI.
Com 63,13 pontos, a África do Sul mantém a liderança isolada, numa pontuação que se distancia significativamente do segundo lugar. Maurícias e Namíbia ocupam o segundo e terceiro lugares, com 50,69 e 49,89 pontos, respectivamente, sendo que a Namíbia regista a maior subida do ranking, ao ganhar 12 posições.
Marrocos (4.º, 48,92), Nigéria (5.º, 48,17) e Egito (6.º, 47,30) completam o grupo dos seis primeiros classificados. Em destaque positivo surge também a Argélia, que sobe sete posições para o 12.º lugar, com 40,39 pontos.
No plano negativo, a Etiópia regista a maior queda do ranking, perdendo 12 posições para se fixar no 19.º lugar, com 33,86 pontos. A Tanzânia e o Botsuana perdem igualmente sete posições cada.
Entre os países lusófonos, Cabo Verde figura na 17.ª posição com 34,31 pontos, enquanto Moçambique encerra o ranking na 20.ª posição com 33,22 pontos. Angola não figura entre os 20 países mais bem classificados.
A ausência de Angola no ranking constitui um sinal de alerta para o país, que continua a enfrentar desafios significativos em matéria de governança institucional, diversificação económica e ambiente de inovação. O resultado reforça a necessidade de reformas estruturais que permitam ao país alcançar padrões de desempenho comparáveis aos seus pares continentais.



