Angola dispõe de uma capacidade eléctrica instalada que ronda os 6 347 megawatts, mas esse número esconde uma realidade profundamente desequilibrada: a Prodel-EP, empresa pública de produção de electricidade, concentra praticamente toda a infra-estrutura do país, com 6 236,16 MW sob a sua gestão directa, segundo dados da própria empresa, consultados pela Líder Magazine.
Os restantes operadores — CIF, Sonangol, Biocom e Alrosa/Luele — dividem entre si pouco mais de 111 MW, o equivalente a menos de 2% da capacidade total. A CIF lidera entre os privados com 50 MW, seguida da Sonangol com 25 MW, do Biocom com 20 MW e da parceria Alrosa/Luele com 16 MW.
A concentração geográfica é igualmente pronunciada. A Região Norte, que inclui a bacia hidrográfica do rio Kwanza e as grandes barragens do país, totaliza 4 825,48 MW — mais de três quartos de toda a potência instalada em Angola. A Região Centro ocupa a segunda posição com 502,72 MW, seguida do Sul com 463,27 MW, do Leste com 364,89 MW e de Cabinda com 190,8 MW.
Esta assimetria reflecte décadas de investimento concentrado nas infra-estruturas hidráulicas do Centro-Norte do país, nomeadamente as barragens de Cambambe, Laúca e Capanda, que formam a espinha dorsal do sistema eléctrico nacional. A Região Norte sozinha produz mais electricidade do que as restantes quatro regiões combinadas, uma concentração que levanta questões sérias sobre a resiliência e equidade do sistema.
A quase monopolização do sector pela Prodel-EP é reconhecida pelo próprio Governo angolano como um dos principais desafios para a modernização do sector energético. O Plano de Desenvolvimento do Sector Eléctrico prevê a entrada de novos operadores privados e a expansão das energias renováveis, com particular enfoque na energia solar — abundante no Sul e no Leste do país, precisamente as regiões mais carenciadas em termos de capacidade instalada.



