A Etu Energias, a maior empresa privada do sector energético em Angola, consolidou a sua presença no Bloco 14 ao exercer o direito de preferência, adquirindo uma participação de 20% no Bloco 14 e de 10% no Bloco 14K — operação que substituiu um acordo previamente estabelecido com o consórcio BW Energy-Maurel & Prom, apurou a Líder.
A reorganização do bloco teve origem na saída da Chevron, que vendeu a sua participação operada de 31% no Bloco 14 e a participação não operada de 15,5% no Bloco 14K à Energean, num negócio avaliado em 260 milhões de dólares, assinado em Março de 2026.
A petrolífera norte-americana mantém presença em Angola através de outros blocos e do projecto Angola LNG.
O acordo entre a Etu Energias e a Azule Energy tem um valor base de 195 milhões de dólares, podendo chegar aos 310 milhões de dólares através de pagamentos contingentes ligados ao preço do petróleo e aos níveis de produção até 2038.
O financiamento contou com o apoio da Chariot Limited e de uma facilidade estruturada de até 170 milhões de dólares da Shell Western Supply and Trading, em troca de futuros barris de produção.
O Bloco 14, localizado entre 60 a 150 quilómetros ao largo da costa de Cabinda, produz actualmente cerca de 40.000 barris por dia a partir de nove campos petrolíferos, com reservas remanescentes estimadas em 93 milhões de barris.
Apesar da queda de produção face ao máximo histórico de 300.000 barris por dia, os activos são encarados como oportunidades de reabilitação, com margem para perfuração adicional e optimização operacional.
Esta reconfiguração reflecte uma tendência mais ampla no sector upstream angolano, onde a saída das grandes petrolíferas internacionais abre espaço para que empresas independentes e nacionais assumam um papel cada vez mais relevante na produção e no redesenvolvimento dos campos.



