O Banco Nacional de Angola (BNA) fechou 2025 com um resultado líquido de 668,5 milhões de kwanzas, uma queda expressiva de 60% face aos 1,6 mil milhões de kwanzas do ano anterior.
Os dados constam do relatório e contas da instituição e contrastam com o desempenho robusto do sector bancário que o BNA supervisiona — os bancos comerciais angolanos lucraram, no mesmo período, 951,44 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 34% face ao ano anterior. 
A quebra nos resultados do banco central surge num ano em que a instituição liderada pelo governador Manuel António Tiago Dias conduziu uma política monetária de grande prudência.
Ao longo de cinco reuniões do Comité de Política Monetária, o BNA efectuou apenas dois cortes na taxa directora, totalizando uma descida de 100 pontos base, de 19,5% para 18,5%. 
O objectivo era conter a inflação sem estrangular a economia — e os resultados ficaram aquém do previsto: a inflação fixou-se em 15,70% em Dezembro, superando positivamente o objectivo definido para 2025. 
Apesar da quebra nos resultados, o balanço patrimonial revela crescimento.
O activo totalizou 19,160 mil milhões de kwanzas, acima dos 17,678 mil milhões do período homólogo. Para este crescimento contribuíram, em destaque, os activos junto do Fundo Monetário Internacional, com 13,754 mil milhões, e os activos financeiros ao justo valor através de outro rendimento integral, com 6,528 mil milhões. 
Outro dado que sobressai do relatório é o crédito concedido ao Estado. O BNA emprestou ao Governo Central, entre 2022 e 2025, um total de 35,572 mil milhões de kwanzas — e o maior aumento registou-se precisamente na transição de 2024 para 2025, quando o crédito atingiu historicamente 11,386 mil milhões de kwanzas, um crescimento de 37,73%. 
No plano dos custos, a factura com pessoal continua a crescer. Em 2025, o BNA gastou mais de 68 mil milhões de kwanzas — equivalentes a 73,8 milhões de dólares — em salários e remunerações dos seus 1.504 trabalhadores, um aumento de 14,6% face aos 59,4 mil milhões de kwanzas despendidos em 2024.
Do total, 3,7% foi destinado aos 11 membros do conselho de administração, segundo dados apurados pelo Polígrafo África.
O contexto macroeconómico em que o BNA operou em 2025 foi igualmente desafiante.
O preço médio do petróleo Brent fixou-se em 68,3 dólares por barril, menos 14,4% do que no ano anterior, reflectindo o aumento da oferta num contexto de fraca procura mundial. 
Para o sector bancário no seu conjunto, o ano foi, ainda assim, de consolidação: os activos cresceram 12,06%, atingindo 26,59 biliões de kwanzas, e o rácio de incumprimento desceu de 19,2% para 15,78%. 



