Há quem herde um nome. Há quem herde uma visão. Gonçalo Afonso Dias Madaleno parece ter herdado as duas coisas — e tratou de as multiplicar.
Filho do empresário angolano Álvaro Sobrinho, antigo CEO do Banco Espírito Santo Angola, Gonçalo não chegou à presidência do Banco Valor pela porta dos fundos. Chegou pela frente, com currículo na mão e resultados na mesa. Mas em Angola, como em todo o lado, o sobrenome abre portas que o talento, sozinho, às vezes demora mais tempo a desbloquear.
Dito isto — e dito com honestidade — o rapaz estudou.
Economia pela Universidade de Chicago. Mestrado pelo MIT. Passagem pela McKinsey & Company entre 2011 e 2014, a consultora que serve de escola a quem quer aprender a pensar o mundo dos negócios sem contemplações.
Foi lá que Gonçalo Madaleno apurou o faro estratégico que mais tarde trouxe para a banca angolana.
Em 2017 entrou no Banco Valor como assessor de administração — pela porta certa, pelo cargo certo, na hora certa. Um ano depois já estava no Conselho de Administração. Em Abril de 2022 assumiu a Presidência da Comissão Executiva.
Hoje, além de presidente, é o principal accionista da instituição, com 56,12% do capital social. A mãe, Ana Seixas Afonso Dias Madaleno, detém 23,54%. Contas feitas, mais de três quartos do banco são da família — o que, no léxico da governação financeira, se chama estrutura accionista de perfil fechado. No léxico do quotidiano angolano, chama-se simplesmente: isto fica cá em casa.
Os restantes accionistas — Helder da Silva Milagre com 6,30%, Jorge Henrique Flora Leitão com 6,06%, Rui Óscar Ferreira Santos Van-Dúnem com 4,42%, Carlos Humberto Nelson de Sousa Bernardo com 2,06%, Rafael Arcanjo Tchiongo Kapose com 0,93% e João Maria Teixeira Fortes — completam um quadro de rostos conhecidos e lealdades consolidadas. Nada aqui foi deixado ao acaso.
Os números dão razão à estratégia. No segundo trimestre de 2025, o Banco Valor registou um crescimento de 51,69% nos lucros, atingindo cerca de 6,57 milhões de dólares. Para um banco fundado a 1 de Julho de 2011, após autorização do Banco Nacional de Angola, é um desempenho que não passa despercebido no sector.
Gonçalo Madaleno é jovem, tem pressa — mas tem método. Aposta na nova geração de gestores e numa condução orientada para a estabilidade e o crescimento sustentável.
É filho de quem é, sim. Mas em Angola, onde muitos filhos de grandes homens se perdem no caminho entre o privilégio e a responsabilidade, este parece ter escolhido a responsabilidade.
Filho de peixe, peixe é. Mas este já nada por conta própria.


