O mercado cambial registou em Abril uma oferta de divisas de 1,5 mil milhões de dólares, representando um crescimento homólogo de 61,5% face ao mesmo período do ano anterior, apurou a Líder Magazine.
Os dados, divulgados pelo Banco Nacional de Angola, revelam um mercado em clara expansão, com uma base de oferta diversificada entre operadores privados, o Tesouro Nacional e o próprio banco central.
De acordo ainda com dados em posse da Líder, a principal fonte de divisas no período foi o conjunto formado pelos operadores petrolíferos e pelos Clientes Diversos, que em conjunto disponibilizaram cerca de 755,8 milhões de dólares, correspondentes a aproximadamente 56% do total transaccionado — confirmando o papel estruturante do sector petrolífero na alimentação do mercado cambial angolano.
Este dado é consistente com o padrão histórico identificado pelo BNA, segundo o qual o sector petrolífero tem sido sistematicamente o maior provedor de moeda estrangeira no mercado cambial nacional. 
O Tesouro Nacional surge como segundo maior contribuinte, com uma participação de 509,2 milhões de dólares, equivalente a 33,7% da oferta total — um sinal da intervenção activa do Estado na gestão da liquidez em moeda estrangeira. O BNA, por sua vez, participou com 152 milhões de dólares, completando o quadro de uma oferta cambial sustentada por três pilares complementares.
O crescimento expressivo registado em Abril é um indicador positivo para a estabilidade do kwanza, num contexto em que Angola tem procurado reduzir a volatilidade da sua moeda.
As vendas de divisas dos provedores regulares, realizadas na plataforma Bloomberg, as vendas do Tesouro Nacional e as intervenções do BNA têm permitido aos bancos comerciais executar operações no mercado secundário para pagamentos a não residentes, sobretudo no que se refere a operações de empresas e particulares. 
A diversificação das fontes de oferta de divisas, com participação relevante de agentes não petrolíferos, aponta igualmente para uma maior maturidade e profundidade do mercado cambial angolano.
As regras do BNA que determinam o repasse de 30% para os bancos das transacções petrolíferas e diamantíferas têm permitido maior liquidez no mercado cambial, com mais instituições bancárias a ter acesso às divisas e uma concorrência mais alargada entre operadores. 
O desempenho de Abril reforça a trajectória de estabilização cambial que Angola tem vindo a consolidar nos últimos anos, num mercado que, apesar dos desafios estruturais, dá sinais crescentes de maturidade e de maior capacidade de resposta às necessidades da economia nacional.



