O maior desafio de uma mulher  líder está na gestão do tempo

O nascimento de um filho marca de forma profunda e significativa a vida de uma mãe, além das mudanças físicas, emocionais e de rotina, vêm muitos outros desafios,alguns esperados, mas, muitos deles, inesperados. Foi exactamente assim que aconteceu com Paula Morais, na chegada da filha Ana Carolina em 2010. Ana nasceu com uma doença neurológica, o que obrigava a cuidados constantes, idas frequentes á hospitais, bem como alguns longos períodos de internamento. Nisso, Paula Morais se via obrigada a buscar segundas opiniões médicas  e tratamentos mais avançados e eficazes. Durante quatro anos viajou entre Brasil, Estados Unidos, Portugal e Reino Unido atrás dessas respostas. E como diz o ditado: “observar é aprender sem perguntar”, Paula foi entendendo como eram desenvolvidas as práticas nas áreas de tratamentos que Ana Carolina precisava. De regresso á Angola e com todo conhecimento que absorveu durante o acompanhamento da pequena filha,  Paula Morais decidiu junto da familia abrir uma clinica especializada em terapia para criancas em condições semelhantes.

Assim nasce em 2015 a fundação Ana Carolina, voltada para humanização e cuidado de crianças carentes, portadoras de deficiências neurológicas e suas famílias.

À frente do projecto de cariz social desde a sua fundação há nove anos, Paula Cristina Cardoso de Morais é uma líder focada e comprometida com o seu papel social e sentido de missão, conciliados com a função de mãe e esposa.

Á Líder Magazine, a CEO da fundação Ana Carolina, aponta os grandes desafios enfrentados na jornada até aqui.

“Tem sido uma jornada gratificante a todos os níveis, mas ainda assim, desafiante, complexa e muito exigente. Temos conseguido alcançar o nosso objectivo, no apoio directo às crianças com necessidades especiais e suas famílias. Mas, queremos estender essa ajuda por toda Angola. Temos projectos em carteira que se tudo correr bem, irá permitir o aumento e maior alcance da nossa actividade”, afirmou.

Pesembora tenha um leque de parceiros que têm viabilizado a expansão do campo de acção, a fundação enfrenta dificuldades com infraestruturas e recursos humanos, pois, o número de famílias cadastradas cresce exponencialmente. Actualmente a fundação atende mais de 90 crianças em tratamento de fisioterapia e outras terapias, no centro de neurodesenvolvimento, no Benfica.

” Temos conseguido apoios de singulares e empresas que nos permitiram elevar o número de beneficiários desde a abertura da fundação em 2015, e sem essas ajudas não seria possível abranger tantas crianças. Actualmente temos 95 famílias cadastradas, que prefaz 95 crianças em tratamento no centro do Benfica. A infraestrutura e recursos humanos já não são suficientes,  tendo em conta a procura. Mas, com empenho de todos envolvidos vamos conseguir aumentar o apoio e melhorar a vida de mais crianças” , prosperou.

Resiliência e proactividade são palavras que definem bem, Paula de Morais. Formada em gestão e marketing, pós graduada em gestão estratégica de marcas é um exemplo de liderança feminina

“A maior dificuldade enquanto presidente da fundação passam pela captação dos recursos uma vez que a fundação Ana Carolina é uma fundação sem fins lucrativos, que depende de doações para financiar suas actividades. A captação tem sido um desafio constante pois é necessário encontrar fontes de financiamento sustentáveis e que permitam a fundação cumprir os seus objectivos”, detalhou a gestora.

“Outro grande desafio é  gestão dos recursos. Uma vez que os recursos são limitados, como por exemplo a reposição de equipamentos,  cadeiras adaptadas para crianças com mobilidade reduzida. Tem ainda a questão dos recursos humanos pela escassez de profissionais de saúde em algumas áreas. É também importante olhar para os desafios específicos, como o trabalho com crianças com deficiência,  compreender a sua necessidade específica, e trabalhar com as famílias para que, essas possam apoiar seus filhos da melhor maneira”, listou, a gestora estratégica de marcas, que apesar dos desafios se mantém confiante no trabalho da fundação e na diferença positiva que a mesma pode fazer na vida de milhares de crianças angolanas.

Humanista, Paula de Morais lança um olhar crítico para a falta de espaços e condições para que os trabalhadores da saúde sejam melhores em seus ramos de actuação.

“Não acho que haja menos humanização nos serviços de saúde, existe mais stress e menos responsabilização. Há a necessidade dos profissionais de saúde e áreas de intervenção social terem mais espaços e condições de trabalho para serem melhores profissionais. O ambiente e as condições de trabalho são fundamentais para que o profissional entregue um trabalho de qualidade e excelência. É importante estar num ambiente que os motive, instrua, com bons líderes, para desenvolverem suas tarefas de forma mais profissional e humana”, defendeu.

Mulher de vários ofícios, a empresária que  começou agora um serviço de mentoria á mulheres empreendoras, diz apostar no equilíbrio para conciliar o tempo e as diversas responsabilidades que sobre ela recaem.

“O maior desafio de ser uma mulher na liderança, mãe e esposa está na gestão do tempo entre o trabalho e a família. Por um lado queremos crescer profissionalmente, por outro temos a família para cuidar. Esse balanço deve ser feito de acordo as prioridades”, pontuou.

“Eu aposto no equilíbrio pois há sempre tempo para semear e para colher”, elucidou Paula Morais.

Sedenta por conhecimento, a gestora de está sempre a aprender ou a ensinar. Pois acredita que a partilha de conhecimento é a melhor forma de crescimento e de potenciar e gerar novos empreendores. Quando a agenda permite, preenche os tempos livres a apreciar arte, assistir documentários, e desfrutar da companhia da família e amigos.

“Faço cursos de várias áreas, pois gosto de estar sempre a aprender. Passar a minha experiência e conhecimento. Não sou de passatempos específicos, mas gosto de arte, música,  ver documentários, e estar com a família e amigos”, declarou.

Imbuída na esperança de dias melhores, depois dos desafios de 2023, a empresária sósia fundadora do centro de fisioterapia Ana Carolina,  e fundadora da fundação com o mesmo nome Ana tem entre as aspirações para 2024, melhorias das condições sócio e económicas do país, bem com, mais partilha de recursos para um maior e melhor apoio às crianças e famílias vulneráveis. ” Quanto a fundação, que possamos atender a mais crianças, e que haja mais recursos físicos e humanos para desenvolver nosso trabalho de apoio social aos mais necessitados”, aspirou a presidente da fundação Ana Carolina.

Por: Noirany Narciso

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