Apesar do preconceito, temos bons exemplos de mulheres líderes

Albertina da Cruz Cassoma é sem sombra de dúvidas dos nomes mais sonantes quando pensamos em desporto no feminino. Uma estrela do andebol nacional cujo brilho reluz pelo continente berço e mais além, podemos mesmo dizer que Albertina Kassoma é uma estrela que brilha um pouco por todo o mundo, uma vez que a andebolista é presença constante nos maiores eventos desportivos do globo.

Prova disso são as distinções que a pivô acumula no currículo, a título de exemplo:

– campeã mundial de clubes, na China (super globo), onde também foi considerada a melhor atleta da prova;

– destaque nas duas edições dos jogos olímpicos (2016 e 2020);

– diversas vezes eleita jogadora mais valiosa em campeonatos africanos;

– A nível nacional, a pivô já conquistou todas as provas existentes, nos mais diversos escalões.

Recentemente, Albertina figurou a lista das 20 melhores atletas do campeonato do mundo que decorreu em Dezembro último na Escandinávia, mérito que coroou o final de 2023, ano em que também deu a luz a pequena Renata.

Ao virar o ano, Albertina Kassoma faz junto da Líder magazine um balanço de como foi o ano 2023, e traça as metas para o ano que agora começou.

“2023 foi dos anos mais desafiadores da minha vida. Tornei-me mãe, joguei pela primeira vez a Champion League, muitas viagens em competições. Mas, no final só tenho que agradecer a Deus, por me capacitar quando pensei que não daria conta. E agora posso afirmar sem sombra de dúvidas que 2023 foi um excelente ano para mim”, declarou Albertina Kassoma.

“Para 2024 pretendo continuar a trabalhar,  dar o meu melhor, para ser a minha melhor versão a cada dia , quer a nível profissional como a nível pessoal”, objectivou.

Dentre muitas maneiras, podemos definir Albertina Cassoma como “Líder nata”. Pois,  dentro da quadra, a pivô é responsável por proteger a zona central, fazer o bloco defensivo, travar jogadoras que atravessam a linha dos 9 metros, orientar, despertar e chamar a equipa para defender. Todas essas incumbências auferem-lhe  papel de liderança. Uma vez que, alinha e guia os membros do time na direcção do objectivo comum. Aproveitando a deixa, a atleta realça que apesar do preconceito existem cada vez mais, bons exemplos e referências de liderança feminina.

“Na nossa sociedade por mais que as mulheres sejam aceitas, ou colocadas em cargos de liderança o principal desafio encontrado é o preconceito. Considerando a figura feminina inferior ou insuficiente para assumir um cargo, principalmente os ocupados maioritariamente por homens”, explanou

“Outro ponto muito comum, é que alguns subordinados homens não aceitam ser liderados por mulheres, questionam, desrespeitam, desautorizam qualquer acção que elas tentem conduzir. Desqualificando o papel que a ela foi incumbido. Mas, ainda assim temos bons exemplos de mulheres que com garra e perseverança têm conseguido superar todos esses desafios e se afirmado grandes líderes”, avivou.

Tal como muitas mulheres profissionais de destaque, Albertina Kassoma também tem que lidar com múltiplas funções e conciliar vários papéis, como por exemplo o de mãe e esposa. Casada há sensivelmente dois anos com o também atleta Francisco de Almeida,  os dois são pais de primeira viagem da pequena Renata de apenas um ano. Nas vestes de mãe e esposa a jogadora se descreve como dedicada e mãe galinha.

“Sou uma esposa dedicada parceira e amiga. Adoro ir ao cinema e fazer dates com o meu esposo. Como mãe,  sou galinha, aquela que não desgruda da sua filha nem um minuto, amo brincar com ela. Quando estou fora dos campos procuro dar tudo de mim á minha família. Aproveitar cada momento e ter tempo de qualidade com eles, porque os treinos  competições e viagens roubam um pouco desses momentos. Sempre que posso doou-me 100% á eles”, disse a atleta da selecção nacional.

Oriunda de uma família de sete irmãos, Albertina nao esconde o desejo de aumentar a família em tempo oportuno.

“Tenho uma filha lindíssima e futuramente pretendo fazer mais alguns, se Deus quiser”, adiantou.

Com tantos feitos alcançados no frescor dos seus 27 anos, engana-se quem pensa que a internacional angolana tem jà todos os sonhos realizados. A atleta que actualmente reside na Roménia onde joga pelo Rapid Bucaresti afirma-se grata por tudo que conquistou, porém ainda está longe de se sentir uma mulher realizada.

“Apesar de tudo que já conquistei, não posso dizer que me sinta uma mulher realizada. Sou acima de tudo grata por tudo que alcancei até agora. Mas, ainda tenho metas por concluir, projectos por realizar tanto no âmbito pessoal como profissional”, pontuou.

Tendo em conta a curta durabilidade de uma carreira desportiva, Albertina mostra interesse em investir em outra áreas.

“A vida de atleta é muito curta é importante saber aproveitar e investir em outras coisas enquanto há tempo e recursos para tal. Inclusive tenho já alguns projectos em andamento que em breve irei divulgar”, adiantou.

Contrariada, Albertina começou a jogar andebol por insistência de seu pai, que a levava pacientemente aos treinos nas quadras do Clube Central das Forças Armadas Angolanas (1º de Agosto). Hoje, louvamos nós a  insistência deste pai , pois graças a ela, somos brindados pelo grande talento dessa atleta imponente, que marca pela diferença. Um icone que inspira uma geração de mulheres e crianças, e com brio tem sabido elevar as cores da nossa bandeira e grafar o nome de Angola entre as potências do andebol mundial.

Por: Noirany Narciso

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Solverwp- WordPress Theme and Plugin