Fernando Rodrigues, MBA pelo ISCTE, assumiu em março deste ano as funções de Country Manager da Heineken em Angola, ficando responsável por liderar a entrada oficial da marca no mercado angolano com produção local. A chegada da marca holandesa representa um novo desafio num sector fortemente consolidado, onde as marcas nacionais dominam há décadas.
O lançamento oficial decorreu em abril e contou com a presença de Willem van Waesberghe, Global Master Brewer da Heineken, que marcou presença para reforçar pessoalmente o compromisso da marca com os mais altos padrões de qualidade.

A produção local é assegurada em parceria com o Grupo Castel, cuja experiência no sector garante que cada unidade produzida em Angola cumpre os requisitos internacionais da marca. O mote escolhido para a entrada no mercado resume a proposta de valor: “Qualidade Internacional, agora para ti.”
O mercado que a Heineken encontra à chegada é dominado por marcas com raízes profundas no país. As marcas líderes do sector são a Cuca, a Nocal e a EKA, cuja história se confunde com a história do próprio país, reunindo a maior base de consumidores a nível nacional. 
A Cuca detém cerca de 75% de todo o mercado cervejeiro angolano  — uma posição de domínio construída ao longo de décadas. Em 2023, a Cuca foi eleita a marca angolana mais valiosa no ranking Superbrands, à frente da Unitel.
O adversário mais directo da Heineken é, paradoxalmente, o seu próprio parceiro de produção. O Grupo Castel Angola opera como o maior grupo da indústria de bebidas no país, produzindo cerca de 16 marcas, entre as quais Cuca, Nocal, EKA, N’gola, Doppel, 33 Export e Booster, em mais de nove fábricas espalhadas pelo território nacional. 
Para além das marcas nacionais, a Heineken encontrará também concorrência de marcas portuguesas com presença relevante no mercado. A Sagres chega a ser fabricada localmente em Luanda, detentora da única licença de produção da marca fora de Portugal, enquanto a Super Bock e a Cristal são produzidas pela ÚNICA — União Cervejeira de Angola. 
O mercado conta ainda com outros concorrentes de menor dimensão, como a marca Bela, da Lowenda Brewery Company, e a Tigra, da Refriango.
O consumo de cerveja em Angola atingiu 600 milhões de litros em 2021, tendo chegado a um máximo histórico de 1,2 mil milhões de litros  — um potencial que justifica o interesse de uma marca global numa aposta de produção local.
Com base em Luanda, Fernando Rodrigues tem um objectivo claro e ambicioso. A sua abordagem de liderança combina o que descreve como Liderança Centrada no Potencial, uma visão holística de entrada no mercado e um pensamento analítico e sistémico, criando ambientes onde as equipas atingem o máximo desempenho e traduzindo estratégia em execução com resultados mensuráveis.
“A partir de Luanda, o objectivo é claro: colocar a Heineken nos corações dos consumidores angolanos”, afirma o gestor.


