Eduardo Fairen Soria, que dirigiu a companhia aérea angolana, presta homenagem ao fundador da Hi Fly, falecido no último sábado, evocando a confiança, a visão e a humanidade de um homem que marcou a aviação portuguesa.
Com grande tristeza, Eduardo Fairen Soria soube que Paulo Mirpuri, fundador e CEO da Hi Fly, faleceu no último sábado. O antigo responsável máximo da TAAG — Angola Airlines reconhece-o como um daqueles raros líderes da aviação “à moda antiga”: do tipo que dirige com integridade, visão e um simples aperto de mão.
Durante o seu mandato à frente da TAAG, a companhia atravessou uma situação crítica em que Paulo Mirpuri se revelou peça fundamental para a resolução do problema.
O primeiro contacto pessoal ocorreu num clube de equitação em Lisboa, seguido de uma reunião formal no escritório da Hi Fly. Apesar do histórico difícil da transportadora angolana na época e de não conhecer o interlocutor pessoalmente, Mirpuri não hesitou em comprometer o apoio da sua empresa, fundando a decisão na confiança e nas referências recebidas.
“Era um homem que se comprometeu a ajudar com base em referências e confiança — sem me conhecer directamente. Isso diz tudo sobre o seu carácter.”
Entre as memórias mais marcantes, Fairen Soria destaca uma viagem à Antártica, com Carlos Mirpuri — irmão de Paulo — no comando, a bordo de um Airbus A340, nos campos de gelo remotos de Wolf’s Fang. “Era uma pessoa profundamente preocupada com o impacto que causamos no mundo, alguém que amava a natureza e aproveitava a vida ao máximo.”
O antigo dirigente da TAAG endereçou as mais sentidas condolências à família Mirpuri e a toda a equipa da Hi Fly.


