Paulo Mirpuri, um dos empresários mais marcantes da aviação privada de língua portuguesa, partiu no passado sábado, dia 2 de maio.
O homem de negócios era o fundador da Air Luxor e da Hi Fly, companhia aérea da qual era chairman.
Filho de pai paquistanês e mãe angolana, Mirpuri era o sexto de sete irmãos. Foi formado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas de Lisboa.
Em 1988 lançou a Air Luxor, companhia que chegou a operar 24 rotas regulares. Em meados de 2006, a empresa foi vendida, mas Mirpuri já tinha dado o próximo passo: fundar a Hi Fly, desta vez com um modelo de negócio assente no wet lease — aluguer de aeronaves com tripulação, manutenção e seguro incluídos.
Desde então, conduziu a empresa até se tornar líder mundial nesse segmento.
As raízes em Angola e a parceria com a TAAG
A ligação da família Mirpuri a Angola é antiga e profunda. O patriarca Arjan Mirpuri construiu a sua fortuna no abastecimento de navios e no fornecimento de empresas de construção civil nas colónias portuguesas de África, com Angola como base central dessa actividade.
O negócio familiar no nosso país não se ficou pelo passado: a família manteve ao longo dos anos interesses no sector dos transportes marítimos de mercadorias em solo angolano.
Já no plano da Hi Fly, a relação com Angola ganhou novo fôlego através de uma parceria com a TAAG — Linhas Aéreas de Angola.
Em Junho de 2022, as duas companhias celebraram um acordo de wet lease para reforçar a ligação Luanda–Lisboa com um Airbus A330, numa altura em que a frota internacional da TAAG, nomeadamente os Boeing 777-300ER, estava a passar por trabalhos de manutenção.
Nos termos do contrato, a Hi Fly disponibilizou a aeronave com tripulação completa, manutenção e seguro, sendo compensada de acordo com as horas voadas.
A parceria gerou polémica entre os passageiros angolanos, que em diversas ocasiões se queixaram da qualidade do serviço prestado.
Em 2024, a TAAG deu por encerrado o acordo, retomando os dois voos diários para Lisboa com as suas próprias aeronaves.


