O banco criado pelo Afreximbank e pela APPO já tem presidente e conselho de administração. Vai financiar projectos de petróleo e gás que os bancos ocidentais deixaram de apoiar. Angola, um dos primeiros países a pagar a sua parte do capital, está também entre os primeiros destinos do dinheiro.
O Africa Energy Bank já está oficialmente a funcionar. A instituição, criada pelo Banco Africano de Exportação e Importação (Afreximbank) e pela Organização Africana de Países Produtores de Petróleo (APPO), tem um capital de 5 mil milhões de dólares e vai financiar projectos de petróleo e gás em todo o continente.
A primeira assembleia-geral decorreu em Abuja, na Nigéria, onde fica a sede. Helmy Ghazi foi nomeado o primeiro presidente do banco e foi constituído o primeiro conselho de administração.
O banco chega numa altura em que os financiadores tradicionais estão a sair dos combustíveis fósseis.
O investimento em petróleo e gás em África caiu de 68 mil milhões de dólares em 2016 para cerca de 37 mil milhões em 2025, uma quebra de quase 46%. O Afreximbank estima que o continente precisa de investir 200 mil milhões de dólares por ano em energia.
O financiamento vai abranger toda a cadeia de valor, da exploração e produção à refinação e distribuição.
O banco quer também apoiar uma transição energética justa, ao ritmo das economias africanas.
Angola na linha da frente
Angola é um dos 18 membros da APPO e esteve no banco desde o início. O acordo para o criar foi assinado em Luanda, em Maio de 2022, durante o CAPE VIII, na presença do Presidente João Lourenço. Na altura, a APPO era presidida pelo então ministro angolano dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo.
Angola foi também um dos três primeiros países, com a Nigéria e o Gana, a cumprir os compromissos de capital. E está entre os primeiros a beneficiar: em Fevereiro de 2026, o banco anunciou 10 mil milhões de dólares para projectos prioritários de petróleo e gás em Angola, na Nigéria e na Líbia.
Para o País, o dinheiro chega numa fase decisiva. Angola quer manter a produção acima de um milhão de barris por dia depois de 2027 e está a desenvolver novos projectos de gás. São investimentos cada vez mais difíceis de financiar nos mercados internacionais.
Quem são os donos
O capital é detido maioritariamente pela APPO e pelo Afreximbank, que aprovou um investimento de 1,75 mil milhões de dólares. Os Estados-membros da APPO entram no capital através das petrolíferas nacionais, de fundos soberanos e de outras entidades.
A Nigéria ganhou o direito de acolher a sede em Julho de 2024, à frente das candidaturas do Gana, do Benim, da Argélia, da África do Sul e da Côte d’Ivoire.



