Angola e os Emirados Árabes Unidos passam a permitir a entrada recíproca dos seus cidadãos sem necessidade de visto. A novidade foi formalizada através do Decreto Presidencial n.º 112/26, publicado a 1 de Julho de 2026 no Diário da República (I Série, n.º 122), que ratifica o Acordo sobre a Isenção Mútua dos Requisitos de Visto de Entrada entre os dois Governos.
Na prática, o diploma cria um regime de mobilidade facilitada entre Luanda e Abu Dhabi: uma vez concluídos os trâmites necessários à entrada em vigor do acordo, angolanos e emiratenses deixarão de precisar de visto para viajar entre os dois países.
A decisão enquadra-se no esforço de aproximação diplomática que Angola tem vindo a construir com o Médio Oriente, com o propósito declarado de dinamizar o intercâmbio económico, comercial e turístico, além de simplificar a vida de empresários e investidores que circulam entre as duas nações.
De acordo com dados da Aipex, os Emirados Árabes Unidos lideraram o investimento directo estrangeiro em Angola entre 2018 e Março de 2022, com 351,7 milhões de dólares, à frente do Reino Unido e da China.
Mais recentemente, Angola destacou em fóruns internacionais o papel do Acordo Abrangente de Parceria Económica (CEPA), que visa eliminar barreiras comerciais, ampliar o acesso a mercados e abrir vias de investimento em energia renovável, logística, agricultura, indústria e turismo entre os dois países.
O sector portuário angolano é hoje um dos maiores exemplos concretos da presença empresarial emiratense no país. A DP World venceu o concurso público para a concessão, por 20 anos, do terminal multiusos do Porto de Luanda, onde investiu cerca de 210 milhões de dólares, triplicando a eficiência operacional do terminal.
A empresa manifestou ainda interesse noutros projectos estratégicos, como o Terminal da Barra do Dande, as plataformas logísticas da futura Cidade Aeroportuária de Luanda e o Projecto Porto Caio, em Cabinda.
Paralelamente, o grupo Abu Dhabi Ports (AD Ports Group) assinou, em parceria com a Unicargas e a Multiparques, uma concessão de 20 anos (prorrogável por mais dez) para modernizar outro terminal polivalente do Porto de Luanda — o actual Noatum Ports Luanda Terminal —, com um investimento inicial de 250 milhões de dólares, podendo atingir até 410 milhões ao longo da concessão.
O projecto deverá aumentar a capacidade de contentores de 25 mil para 350 mil TEUs e os volumes Ro-Ro para mais de 40 mil veículos, com conclusão prevista para 2027.
O grupo assinou também acordos-quadro para explorar cooperação numa academia marítima nacional, serviços de cabotagem e ferry, o Terminal de Águas Profundas do Caio, em Cabinda, e o Terminal Polivalente da Zona Franca do Dande.
A Barra do Dande, na província do Bengo, cerca de 30 km a norte de Luanda, é um dos projectos mais ambiciosos ligados ao investimento dos EAU em Angola.
O terminal oceânico especializado em produtos petrolíferos, orçado em cerca de 500 a 662 milhões de dólares, prevê dois cais, uma rede de oleodutos e 29 tanques de armazenamento, com participação de investidores emiratenses ao lado da Sonangol.
A aprovação da isenção de vistos reflecte, assim, a aposta do Executivo no aprofundamento da cooperação internacional no domínio da mobilidade de pessoas, reforçando parcerias estratégicas já sólidas e visíveis no terreno com os países do Golfo.



