Três dos maiores operadores mineiros do mundo a Rio Tinto, a Anglo American e a Ivanhoe Mines, estão simultaneamente a desenvolver actividades de exploração de cobre em Angola, movidos por uma convicção geológica comum: o país pode albergar uma extensão do Cinturão Cuprífero da África Central, uma das formações mais ricas do planeta em minerais essenciais à transição energética global.
A Anglo American assinou com o Ministério dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás cinco contratos de investimento mineiro em novembro de 2019 — três para a província do Cunene, orientados para metais básicos como cobre, cobalto e níquel, e dois para o Moxico, focados em cobre, cobalto e prata. 
Em meados de 2024, a empresa britânica já desenvolvia trabalhos de prospecção na comuna de Calunda, no Alto Zambeze, realizando exames laboratoriais com dados obtidos do cinturão de cobre que liga a Zâmbia, a República Democrática do Congo e Angola. 
A canadiana Ivanhoe Mines entrou de forma ainda mais expressiva. Em novembro de 2023, a Agência Nacional de Recursos Minerais assinou com a Ivanhoe um contrato de prospecção de cobre nas províncias do Moxico e Cuando Cubango, com abertura imediata de escritórios em Angola. 
A licença de exploração cobre 22.000 quilómetros quadrados e, no quarto trimestre de 2025, a empresa lançou uma campanha de perfuração de 6.400 metros, no âmbito de um orçamento de exploração de 75 milhões de dólares para esse ano. 
O fundador da Ivanhoe, Robert Friedland, é explícito quanto à tese geológica: as regiões pouco exploradas de Angola “poderiam sediar uma extensão do Cinturão de Cobre da África Central”. 
A Rio Tinto completa o trio. Em janeiro de 2024, formalizou com o Executivo angolano um contrato de 5,7 milhões de dólares para a Concessão de Moxico, com uma licença exploratória de 35 anos focada em cobre, zinco, cobalto e titânio. 
A empresa abriu recentemente uma vaga permanente de Geocientista Sénior em Luanda — com português obrigatório e valorização da experiência em geologia angolana — sinalizando uma presença cada vez mais estruturada no terreno.
A convergência destes três operadores numa mesma aposta geológica não é coincidência. Cerca de 60% do território mineral de Angola permanece subexplorado  — um dado que, combinado com a proximidade geográfica ao Cinturão Cuprífero e com a crescente procura global por minerais críticos, posiciona Angola como um dos territórios mais promissores da mineração africana na presente década.



