O Presidente da República João Lourenço aprovou, pelo Decreto Presidencial n.º 115/26, a concessão do sistema de transporte eléctrico que vai ligar Angola à RDC, permitindo pela primeira vez a exportação de electricidade angolana para a região.
É a maior interligação eléctrica transfronteiriça alguma vez feita em África sem fundos públicos — e será paga inteiramente por capital privado, sem qualquer custo para o Estado.
O projecto, chamado Corredor Norte, vai ligar o Soyo à fronteira com a RDC, estendendo também a rede eléctrica a Cabinda através de uma linha de alta tensão com capacidade até 800 megawatts.
Cabinda deverá ser uma das províncias mais beneficiadas, com reforço do fornecimento de energia e melhores condições para o seu desenvolvimento industrial.
A execução ficará a cargo da Meridia Energy, criada pela Averi Finance e pela Somagec. Ainda que a concessão esteja formalmente titulada pela Somagec Energy Holding Limited (sediada no Dubai), é a Meridia Energy quem assume todos os encargos técnicos, financeiros e operacionais.
O modelo escolhido é o regime BOOT: os investidores constroem, detêm e exploram a infraestrutura durante o período da concessão, transferindo-a depois para o Estado angolano. Na parceria, a Somagec trata da engenharia e dos estudos técnicos e ambientais, enquanto a Averi Finance lidera o financiamento — já garantido na íntegra para as duas principais linhas de transmissão.
Com o decreto assinado, o Corredor Norte entra agora em fase de execução, consolidando Angola como potencial fornecedor estratégico de energia na África Austral e Central.



