A Empresa Nacional de Diamantes de Angola, Endiama, tem vindo a registar, ano após ano, resultados operacionais deficitários, facto que, todavia, não tem impedido a Empresa de apurar lucros líquidos positivos em todos os exercícios do período em análise, de 2020 a 2025.
Segundo dados a que a Líder Magazine teve acesso, a rubrica respeitante ao resultado operacional apresenta-se sistematicamente negativa: -14.891.000 contos de Kz em 2020, -17.555.000 em 2021, -33.786.000 em 2022, -28.013.000 em 2023, atingindo o seu pico deficitário em 2024, com -45.806.000, e situando-se em -28.983.000 no corrente ano de 2025.
Não obstante o quadro descrito, e contrariamente ao que seria de esperar por parte do cidadão comum menos avisado nas lides da contabilidade empresarial, a empresa liderada por José Manuel Augusto Ganga Júnior, tem logrado apresentar lucros em todos os exercícios do período: 13.380.000 contos em 2020, 44.163.000 em 2021, 52.629.000 em 2022, 24.215.000 em 2023, 74.192.000 em 2024 — o melhor resultado de sempre da série —, e 29.189.000 no ano em curso.
Fontes ligadas ao sector adiantam que tal desfasamento entre a exploração corrente e o resultado final se deverá, muito provavelmente, a receitas de natureza extraordinária e financeira, porventura oriundas de participações e parcerias com operadores estrangeiros, as quais têm permitido à Empresa equilibrar as contas apesar das dificuldades sentidas na sua actividade principal.
Preocupante se afigura, contudo, a evolução do activo total da Empresa, que de 458.800.000 contos em 2024 — o valor mais elevado de todo o período — recuou para apenas 150.659.000 contos em 2020, tendo os anos intermédios registado 452.787.000 (2025), 309.287.000 (2023), 207.576.000 (2022) e 170.482.000 (2021) contos, respectivamente.
Também o capital próprio da Endiama tem sofrido uma quebra assinalável, tendo descido de 224.000.000 contos em 2024 para apenas 31.558.000 contos em 2020, com valores intermédios de 187.498.000 (2025), 145.230.000 (2022), 136.265.000 (2023) e 76.912.000 (2021) contos.
Analistas independentes, ouvidos por esta Redacção sob anonimato, não escondem alguma apreensão quanto à sustentabilidade, a médio prazo, da estrutura financeira da Empresa, uma vez que a contracção simultânea do activo e do capital próprio, a par de resultados operacionais cronicamente deficitários, constitui, no dizer de um deles, “matéria que não pode ser ignorada pelos órgãos de gestão”, ainda que os lucros contabilísticos se mantenham, para já, positivos.



