Cuba lidera a lista de devedores do Estado angolano, numa carteira de créditos a países estrangeiros que ronda os mil milhões de dólares. Dos 12 países que contraíram empréstimos junto de Angola, a ilha caribenha é a única que não pertence ao continente africano.
Em termos brutos, incluindo os juros previstos nos contratos e os juros de mora, os créditos concedidos pelo país atingem 1,27 mil milhões de dólares. Até agora, os devedores devolveram apenas 287,64 milhões, menos de um quarto do total.
A dívida cubana, de 223,13 milhões de dólares entre capital e juros, representa quase um quarto do valor ainda por cobrar. Tem origem numa operação de 300 milhões de dólares, em que Angola subscreveu obrigações para financiar o Banco Central de Cuba, aliado histórico dos angolanos. Desse valor, Havana já reembolsou 174,37 milhões.
O pódio dos devedores completa-se com dois parceiros africanos. A Tanzânia deve 140,62 milhões de dólares, cerca de 14 por cento da carteira, e o Congo-Brazzaville, vizinho a norte, 113,67 milhões, aproximadamente 12 por cento.
Perante a falta de liquidez de vários devedores, o Estado angolano tem sido obrigado a negociar formas de pagamento fora do comum. O caso mais insólito é o do Tchad, que devia 100 milhões de dólares e acordou saldar a dívida em espécie: 75 mil bois, entregues ao longo de cerca de seis anos.
As entregas, porém, duraram poucos meses. As autoridades angolanas suspenderam o acordo, que permanece parado, embora Angola já tenha dado sinais de querer reactivá-lo.
Moçambique seguiu outro caminho. Com uma dívida superior a 90 milhões de dólares, o Governo de Maputo pediu a Angola que perdoasse metade do valor. O pedido está a ser analisado e terá depois de ser submetido à Assembleia Nacional.



