A Oferta Pública de Venda (OPV) da UNITEL veio colocar em evidência uma questão de fundo para o mercado de capitais angolano: a capacidade técnica e operacional dos intermediários financeiros para executarem, com o rigor devido, aquilo que prometem aos investidores.
Segundo apurou a Líder Magazine, junto de relatos de investidores, a Standard Invest – Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, S.A. (SDVM), não terá executado determinadas ordens de aquisição de acções da UNITEL durante a oferta em mercado primário, tendo alguns investidores logrado adquiri-las apenas posteriormente, já no mercado secundário.
Em certos casos, a Standard Invest terá adquirido as referidas acções no mercado secundário, compensando os investidores pela diferença de preço registada.
De acordo com o Prospecto da operação, a OPV decorreu entre 6 e 24 de Julho de 2026, com liquidação prevista para 28 de Julho, prevendo-se a cativação de fundos na conta do investidor como parte integrante do processo. Receber ordens, validá-las, cativar fundos, transmiti-las e assegurar a respectiva liquidação constituem etapas de uma mesma cadeia operacional — e uma eventual falha em qualquer delas pode significar, para o investidor, a perda da oportunidade económica da oferta, na medida em que a compra posterior no mercado secundário não é equivalente em preço, liquidez ou condições.
A Standard Invest encontra-se registada na CMC como Sociedade Distribuidora de Valores Mobiliários, com o registo n.º 04/SDVM/CMC/09-2023, sendo integralmente detida pelo Grupo Standard Bank.
A CMC identificou a referida instituição entre os vários colocadores da OPV da UNITEL, sublinhando a importância da protecção do investidor e da integridade do mercado.
O caso reveste-se de particular acuidade num momento em que a mesma entidade é apontada para funções relevantes na próxima OPV, do Standard Bank Angola, sem que tenha havido, até à presente data, qualquer esclarecimento público sobre as falhas reportadas na operação da UNITEL.
Não existe, para já, confirmação pormenorizada por parte da CMC quanto às alegadas falhas, nomeadamente no que respeita ao número de investidores afectados, à origem do problema ou às medidas correctivas eventualmente adoptadas. Segundo analistas do sector, num mercado de capitais ainda jovem como o angolano, situações desta natureza podem afectar não apenas os investidores directamente envolvidos, mas também a percepção geral de previsibilidade e segurança do mercado.



