Com cerca de duas décadas de experiência internacional nos sectores da aviação, finanças e consultoria, Miguel Carneiro é licenciado em Gestão Aeronáutica, com especialização em gestão de companhias aéreas, pela Embry-Riddle Aeronautical University, possui um mestrado em Business pelo IESE Business School e uma pós-graduação em Estratégia e Inovação pela Universidade de Oxford.
Iniciou a sua carreira no sector como analista de aviação na ExxonMobil. Ao longo do seu percurso, foi consultor do Ministério dos Transportes de Angola, desempenhou funções no Fundo Soberano de Angola como Head of Alternative Investments, e foi CEO da FINICAPITAL. É também cofundador da JETCAPITAL Aviation, destacando-se pela liderança de projectos de transformação, estruturação financeira e desenvolvimento de negócios em ambientes complexos.
Integrou a equipa de gestão da TAAG em Dezembro de 2023, tendo sido nomeado Chief Commercial Officer (CCO) em Agosto de 2024. Nessa função, liderou o reposicionamento estratégico da companhia e esteve directamente envolvido na elaboração do plano estratégico de cinco anos da TAAG, orientado para a optimização da operação global, a gestão da frota e a garantia da sustentabilidade financeira, em alinhamento com as melhores práticas internacionais do sector.
Em Fevereiro de 2026, o seu papel foi ainda alargado com a nomeação para Chief Transformation Officer (CTO), mantendo-se como Administrador Executivo e passando a deter poderes delegados para a implementação do Plano Estratégico e dos programas de transformação da companhia.
Em Junho de 2026, por deliberação unânime dos accionistas, foi nomeado Presidente da Comissão Executiva (CEO) da TAAG, sucedendo a Nelson Pedro Rodrigues de Oliveira (que ocupava o cargo desde 2023 e sucedeu ao espanhol Eduardo Fairén Soria).
A nomeação insere-se numa actualização mais ampla da estrutura de governação da companhia, no âmbito do reforço da governação corporativa e da consolidação do Programa de Transformação em curso — decisão que contou também com a nomeação de Joelson da Silva de Sá e Vasconcelos para a área Comercial e Sandro da Cunha Pereira Africano para a área Financeira, além do reforço da supervisão estratégica do órgão com a entrada de duas administradoras não executivas.
Sob a sua liderança, a TAAG tem reforçado significativamente a sua rede de ligações, tanto dentro de África como fora do continente.
Em Abril de 2026, a companhia inaugurou o seu primeiro voo comercial para Abidjan, na Costa do Marfim, com três frequências semanais operadas por aeronaves Airbus A220-300. Dois meses depois, em Junho, arrancou a nova rota para Guangzhou, na China, a primeira ligação directa da TAAG à Ásia, permitindo, por exemplo, a passageiros vindos de São Paulo chegar ao destino chinês em cerca de 27 horas, com escala em Luanda.
Está ainda prevista, para 31 de Outubro de 2026, a inauguração da rota Luanda–Dakar–Praia, que marca o regresso de Cabo Verde à rede da companhia cerca de uma década depois da suspensão dos voos ao arquipélago (anteriormente feitos com escala em São Tomé e Príncipe).
A nova ligação, com escala no Senegal, foi enquadrada nos princípios da Decisão de Yamoussoukro e do Mercado Único do Transporte Aéreo em África (SAATM), e visa reforçar a presença da TAAG na África Ocidental.
A companhia mantém ainda ligações a destinos como Nairóbi, Lagos, Kinshasa, Brazzaville, Windhoek, Maputo, Cidade do Cabo e Joanesburgo, além de rotas para a Europa (Lisboa durante todo o ano, e Porto em época alta), consolidando o hub de Luanda como plataforma de conexão entre a América do Sul, África e a Ásia.
Está ainda prevista a abertura de novos destinos africanos, como Accra e Libreville, e a companhia diz estar a explorar a entrada no mercado norte-americano, com possíveis rotas para Houston, Miami ou Nova Iorque.
Apesar desta expansão, a gestão de Miguel Carneiro enfrenta desafios operacionais e financeiros significativos. A ligação doméstica a Cabinda — território dependente quase exclusivamente do transporte aéreo devido à sua descontinuidade geográfica — tem sido marcada por sucessivos cancelamentos e escassez de lugares, gerando fortes protestos de passageiros no Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto, alguns dos quais motivaram intervenção policial.
A TAAG tem atribuído os constrangimentos à indisponibilidade de aeronaves e a dificuldades globais no fornecimento de peças de reposição, admitindo, em resposta, reforçar a rota com aeronaves de maior capacidade e prometendo isenção temporária de taxas de alteração e cancelamento em voos domésticos.
No plano financeiro, a companhia mantém-se deficitária: em 2025, a TAAG registou um prejuízo de 144,7 milhões de dólares — uma ligeira redução face aos 147,1 milhões de dólares de prejuízo em 2024, mas ainda assim o terceiro exercício financeiro consecutivo com resultados líquidos negativos.
Nos últimos dez anos (2016-2025), a companhia só registou lucros uma única vez, em 2022 (500 mil dólares), acumulando prejuízos superiores a 1.470 milhões de dólares no período. A administração atribui os resultados de 2025 à modernização da frota e à subida dos preços dos combustíveis, agravada pelo conflito no Médio Oriente, admitindo a necessidade de ajustar rotas e aumentar preços em 2026.



