Alguns dos empresários mais ricos de África, que edificaram as suas próprias fortunas ao longo de décadas, têm vindo a renunciar à presidência dos impérios que fundaram. As saídas motivadas por exigências regulamentares, processos de sucessão, reestruturações societárias, vendas estratégicas ou simples mudança de prioridades, nem sempre significam um afastamento total dos negócios: vários destes magnatas mantiveram participações accionistas relevantes ou continuam a exercer influência, mesmo depois de terem abdicado do controlo formal.
Entre os nomes mais sonantes do mundo empresarial africano contam-se Aliko Dangote, Tony Elumelu, Patrice Motsepe, Mo Ibrahim e Strive Masiyiwa. A Líder Magazine apresenta dez figuras influentes que se afastaram das empresas que fundaram, transformaram ou ajudaram a construir, numa gentileza da Business Insider África.
Tony Elumelu | United Bank for Africa, Nigéria

Tony Elumelu concluiu, a 21 de Agosto de 2026, um mandato de doze anos à frente da presidência do United Bank for Africa (UBA), depois de ter atingido o limite de mandato fixado pelo Banco Central da Nigéria para administradores não executivos. Embora a marca UBA seja anterior à sua chegada, foi Elumelu quem moldou o banco na sua forma actual, através da fusão de 2005 com o Standard Trust Bank, instituição que então liderava.
Desde essa altura, o UBA expandiu-se para 20 países africanos e quatro praças financeiras internacionais, servindo mais de 50 milhões de clientes e atingindo uma capitalização bolsista próxima dos 1,96 biliões de nairas a 24 de Agosto. A Forbes não divulga publicamente o valor exacto da fortuna de Elumelu, mas, questionado numa entrevista sobre se era milionário ou bilionário, respondeu: “Sou bilionário”. No seu discurso de despedida, afirmou que a liderança “não consiste em permanecer num cargo, mas em saber quando uma instituição está pronta para o capítulo seguinte”.
Patrice Motsepe | African Rainbow Minerals, África do Sul

A saída de Patrice Motsepe, em Fevereiro de 2026, não correspondeu a um afastamento total. O bilionário deixou o cargo de presidente executivo da African Rainbow Minerals (ARM), a mineradora que fundou, mas manteve-se como presidente não executivo do conselho de administração. A alteração resultou da revisão das exigências da Bolsa de Valores de Joanesburgo, que passou a separar as funções executivas da presidência do conselho, ainda que Motsepe tenha reafirmado o seu compromisso em ajudar a ARM a afirmar-se globalmente. A Forbes avaliou a fortuna de Motsepe — que se tornou, em 2008, o primeiro bilionário negro africano — em 4,3 mil milhões de dólares, na sua lista de bilionários africanos de 2026.
Ivan Saltzman | Dis-Chem, África do Sul

A saída de Ivan Saltzman encerrou um percurso de 48 anos numa das maiores cadeias de farmácias sul-africanas. Saltzman e a sua esposa, Lynette, fundaram a Dis-Chem a partir de uma única farmácia em Joanesburgo, em 1978. Renunciou ao cargo de administrador-delegado em 2023, aposentou-se como director executivo em Junho de 2026 e assumiu, inicialmente, funções de administrador não executivo e vice-presidente do conselho.
Abandonou definitivamente o conselho a 23 de Julho, com a fortuna familiar estimada em cerca de 1,3 mil milhões de dólares, valor que o levou a integrar o Índice de Bilionários da Bloomberg em 2026. A Dis-Chem afirmou que Saltzman considerou “o momento apropriado para facilitar a sucessão no Conselho de Administração”, permitindo à empresa continuar a construir sobre as bases estabelecidas.
Aliko Dangote | Dangote Cement, Nigéria

O homem mais rico de África renunciou à presidência da Dangote Cement a 25 de Julho de 2025, para se dedicar por inteiro às suas vastas operações de refinação, petroquímica e fertilizantes. Dangote mantém-se como accionista principal do seu império industrial, mas a saída do sector cimenteiro representou uma mudança de sucessão significativa numa das maiores fabricantes do continente.
A Forbes avaliou-o em 28,5 mil milhões de dólares na lista de bilionários africanos de 2026, embora o próprio considere que tais estimativas subavaliam a sua riqueza real, uma vez que várias das suas maiores empresas são privadas — chegando a afirmar, em 2026, que apenas a sua refinaria valeria mais de 40 mil milhões de dólares. Segundo o grupo, a saída visou permitir que Dangote concentrasse “mais atenção na Refinaria, Petroquímica, Fertilizantes e Relações Governamentais”.
Issad Rebrab | Cevital, Argélia

O bilionário argelino Issad Rebrab entregou o controlo da Cevital ao filho, Malik Rebrab, em 2022, pondo fim a mais de cinco décadas à frente do grupo industrial que fundara. Rebrab criou a Cevital em 1971 e transformou-a na maior empresa privada da Argélia, com negócios que abrangem a transformação alimentar, a electrónica de consumo, o aço, o retalho e a indústria transformadora em três continentes.
Após a transição, o filho assumiu simultaneamente a presidência do conselho e a administração executiva. A Forbes avalia actualmente a fortuna da família Rebrab em cerca de 3,6 mil milhões de dólares, numa sucessão que marcou a transição geracional de um dos maiores grupos industriais familiares do Norte de África.
Jannie Mouton | PSG Group, África do Sul

Jannie Mouton fundou o PSG Group em 1995, depois de ter sido despedido da corretora Senekal, Mouton & Kitshoff, transformando um revés profissional numa das maiores histórias de sucesso do investimento sul-africano. A PSG expandiu posteriormente os seus investimentos para os sectores bancário, financeiro, agrícola e educativo, incluindo uma participação inicial no Capitec Bank.
Mouton deixou a presidência não executiva e o conselho de administração do PSG Group em Novembro de 2018, 23 anos depois de ter fundado a empresa. O grupo agradeceu-lhe a “liderança visionária” e o papel decisivo na criação de valor significativo para os accionistas. A Forbes avaliou Mouton e a sua família em cerca de 2,7 mil milhões de dólares, no seu ranking africano de 2026.
Michiel Le Roux | Capitec Bank, África do Sul

Michiel Le Roux fundou o Capitec Bank em 2001 e contribuiu decisivamente para transformar o banco desafiante numa das maiores histórias de sucesso bancário sul-africano. Depois de exercer funções de administrador-delegado, presidiu ao conselho do Capitec entre 2007 e a sua saída, a 31 de Maio de 2016, mantendo-se desde então como administrador não executivo.
Le Roux continua a deter cerca de 11% do capital do banco, com a Forbes a estimar a sua fortuna em 3,8 mil milhões de dólares em 2026 — reflexo, em larga medida, da extraordinária valorização desse investimento. A sua saída foi mais discreta do que a da generalidade dos seus pares: renunciou à presidência sem, contudo, abdicar da sua exposição económica ao banco.
Christo Wiese | Shoprite, África do Sul

Christo Wiese não fundou a Shoprite, mas desempenhou um papel determinante na transformação da retalhista, de uma pequena cadeia de supermercados numa potência do retalho africano. Através da Pepkor e do seu veículo de investimento pessoal, Wiese construiu uma fortuna que abrange o retalho, o imobiliário e os bens de consumo, tornando-se um dos empresários mais conhecidos da África do Sul.
Deixou a presidência do conselho da Shoprite em Novembro de 2020, após quase três décadas no cargo, mantendo-se ainda assim como um dos principais accionistas. Esta saída ocorreu depois de, em Dezembro de 2017, ter já renunciado à presidência do conselho da Steinhoff, no contexto da crise contabilística que abalou aquela retalhista. A Forbes avaliou Wiese em cerca de 1,9 mil milhões de dólares, no seu ranking africano de 2026. Ao deixar o cargo, afirmou que a Shoprite havia sido “uma parte importante da minha vida durante quase 40 anos”.
Strive Masiyiwa | Econet Wireless Zimbabwe, Zimbabué

Strive Masiyiwa aposentou-se do conselho de administração da Econet Wireless Zimbabwe a 1 de Fevereiro de 2022, quase três décadas depois de ter fundado a operadora de telecomunicações. A Econet atribuiu o êxito da transformação da empresa numa das maiores do Zimbabué à sua “liderança empreendedora” e ao seu “compromisso inabalável”.
Masiyiwa não se afastou, porém, do mundo empresarial, tendo direccionado o seu foco para as infra-estruturas digitais, através do vasto ecossistema da Econet e da Cassava Technologies. A Forbes avaliou-o em 2,1 mil milhões de dólares, no seu ranking africano de 2026.
Mo Ibrahim | Celtel International, Sudão

O empresário de telecomunicações Mo Ibrahim, natural do Sudão, protagonizou uma das saídas mais rentáveis de um fundador africano ao vender a Celtel International em 2005, pondo fim ao seu papel de fundador e presidente da operadora móvel pan-africana. Ibrahim fundou a Celtel em 1998 e expandiu-a por todo o continente numa altura em que a penetração da telefonia móvel era ainda reduzida em grande parte de África.
A operadora kuwaitiana de telecomunicações móveis adquiriu a Celtel por 3,4 mil milhões de dólares, tendo a Forbes estimado que Ibrahim terá embolsado pessoalmente cerca de 1,4 mil milhões de dólares com a transacção. Actualmente, a Forbes avalia a sua fortuna em cerca de 1,3 mil milhões de dólares, classificando-a como inteiramente construída pelo próprio.



