Angola não produzia cobre desde 1972. Foram precisas mais de cinco décadas, e catorze anos de trabalho persistente de um só homem, para que o país voltasse a figurar no mapa mundial deste metal, hoje tido como estratégico para a transição energética global.
Esse homem chama-se Rui Lopes, e a sua história confunde-se com a da revitalização da mina de Tetelo, no Uíge, paralisada desde o tempo colonial.
Rui Lopes é engenheiro de formação e um executivo com uma sólida trajectória no sector mineiro angolano, iniciada ainda em 2003, como Gerente de Relações Institucionais na Gevale, Indústria Mineira, cargo que ocupou durante quase sete anos.
Foi, no entanto, a partir de 2009, quando arrancaram os primeiros estudos preliminares sobre a antiga mina de Mavoio-Tetelo-Bembé, que a sua carreira ficaria indelevelmente ligada ao renascimento do cobre angolano.
A mina, outrora explorada pela antiga Empresa de Cobre de Angola (ECA), fôra abandonada em 1972 por questões de viabilidade económica e falta de acesso a tecnologia adequada. Coube a Rui Lopes, através da Genius Mineira, empresa que viria a promover o projecto, a decisão de avançar com o desenvolvimento sustentável do que restava desta riqueza mineral esquecida.
Os números do trabalho de prospecção falam por si: mais de 125 furos de sondagem, totalizando 60 mil metros lineares perfurados, e um investimento inicial que ultrapassou os 59 milhões de dólares, só na fase de avaliação geológica.
Desde Janeiro de 2014, Rui Lopes é CEO da SMCA, Sociedade Mineira de Cobre de Angola, a entidade angolana que assumiu a promoção do projecto e que, em parceria com o grupo chinês Shining Star International Group, deu origem à Shining Star Icarus (SSI), plataforma da qual é também fundador e director executivo.
Foi precisamente sob a sua direcção que, catorze anos depois do início dos trabalhos, o país assistiu, em Outubro de 2025, à inauguração da mina de Tetelo, um investimento global de cerca de 305 milhões de dólares, e a primeira mina moderna de cobre em Angola desde a independência.
O momento foi descrito pelo próprio ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, como “um acto de visão estratégica”, assinalando a entrada de Angola “com autoridade na era dos minerais críticos do século XXI”.
Ao discursar sobre o culminar deste processo, Rui Lopes não escondeu a dimensão simbólica do momento: descreveu a inauguração como “o culminar de quinze anos de trabalho”, com o arranque da produção de concentrado de cobre a decorrer, numa primeira fase, através de uma operação a céu aberto, com capacidade para extrair até quatro mil toneladas de minério e trezentas toneladas de concentrado por dia.
A segunda fase, com a entrada em funcionamento da mina subterrânea, situada a 1.600 metros de profundidade, estava prevista para o segundo semestre de 2026.
O êxito do projecto não tardou a atrair o interesse do mercado internacional: a multinacional anglo-suíça Glencore, vencendo a concorrência da Trafigura, assegurou um contracto de 37 milhões de dólares por um ano de fornecimento de concentrado de cobre, ainda antes de a produção ter começado a ser entregue.
Com a mina de Tetelo em marcha, Rui Lopes tem vindo a adoptar uma estratégia regional mais ambiciosa, centrada na avaliação integrada do potencial mineral da região circundante, com um horizonte de cerca de dois anos e meio, e o objectivo declarado de fazer da Shining Star Icarus “uma potência da mineração em Angola”, não limitada ao cobre, mas de olhos postos noutros recursos que a vasta área de concessão da empresa possa revelar.
A sua actuação profissional dá grande ênfase à conformidade regulamentar, ao relacionamento institucional e à integração sistemática de princípios ESG, ambientais, sociais e de gestão, com a responsabilidade social, o envolvimento comunitário e o desenvolvimento de conteúdo local a assumirem-se como componentes centrais da concepção e execução de todos os seus projectos.
Rui Lopes é hoje reconhecido como uma das figuras capazes de actuar na intersecção entre a política pública, o capital de investimento e a execução no terreno, um percurso que, mais do que reabrir uma mina, contribuiu para reescrever a história mineira de toda uma região do país.



