O concurso público para a concessão do Corredor do Namibe avançou esta semana para uma nova fase, com o Copia Group of Companies (CGC) a ser admitido sem quaisquer condições — o único dos três concorrentes a obter esta classificação.
O processo diz respeito à concessão, por 30 anos prorrogáveis até 50, do direito de exploração, gestão e manutenção de um dos principais eixos ferroviários e portuários do sul de Angola.
A Copia Group of Companies é um grupo empresarial angolano com actividade nas áreas de fiscalização de obras civis, tecnologias de construção e gestão de projectos. Segundo apurado pela Líder Magazine, é liderada pelo engenheiro civil Adilson Mangueira Nelumba, formado pela Universidade Politécnica da Namíbia (actual Namibia University of Science and Technology, NUST), que acumula as funções de presidente do conselho de administração e CEO.
Antes de fundar o grupo, Nelumba passou pela Sonangol E.P., onde trabalhou em projectos de exploração sísmica, abertura de faixas para linhas de transmissão e desminagem em troços críticos.
A empresa foi fundada em 2014 para consolidar várias empresas do grupo que até então funcionavam de forma dispersa, começando por especializar-se em inspecção. Um dos primeiros trabalhos foi no projecto da Barragem de Laúca, a segunda maior de Angola, com capacidade de cerca de 2.000 megawatts, onde a Copia supervisionou a abertura de faixas para as linhas de transmissão, o processo de montagem e a desminagem da área.
A empresa participou posteriormente no Aproveitamento Hidroeléctrico de Caculo Cabaça, entrando no projecto como empresa de supervisão encarregue de fiscalizar o empreiteiro EPC em nome do dono da obra. Actualmente lidera o consórcio responsável pela fiscalização do projecto, que deverá ter capacidade de 2.172 MW quando concluído, com a primeira turbina prevista para entrar em funcionamento em Outubro de 2026.
O grupo tem também expandido a sua actuação ao sector petrolífero e do gás, tendo marcado presença como patrocinador nas edições de 2025 e 2026 da conferência Angola Oil & Gas (AOG) e na feira de GNL LNG 2026, no Qatar.
Nesta área, desenvolveu duas plataformas próprias — a Copia Six e a Copia DynamicSim — para interpretação sísmica e gestão de campos petrolíferos com recurso a inteligência artificial. Segundo Nelumba, o grupo pretende tornar-se a empresa angolana de referência em supervisão, fiscalização e inspecção até 2027, e alcançar uma posição de destaque na região da África Austral e da SADC até 2030.
Dos outros dois concorrentes ao concurso do Corredor do Namibe, apenas um foi admitido, de forma condicional: o consórcio formado pela Africa Finance Corporation (AFC) e pela African Rail International.
A AFC é uma instituição financeira multilateral de desenvolvimento, com 48 países membros e cerca de 19 mil milhões de dólares desembolsados em projectos em 36 países africanos; no sector ferroviário, actuou como co-assessora financeira no financiamento da Lobito Atlantic Railway e desenvolveu o projecto ferroviário Zâmbia–Lobito, enquanto a African Rail International integra o consórcio com uma componente técnica ligada ao sector ferroviário.
O terceiro concorrente — um consórcio composto pela ATG Afri-Track Group, Global Business Development e VFF — não foi admitido, devido a insuficiência documental identificada pela Comissão de Avaliação.
Concluída esta fase, a Comissão de Avaliação vai agora analisar e avaliar, do ponto de vista técnico e financeiro, as propostas do CGC e do consórcio AFC/African Rail International, nos termos estabelecidos nas peças do concurso.
O processo foi lançado pelo Ministério dos Transportes em 5 de Dezembro de 2025 e diz respeito à concessão da Linha Férrea de Moçâmedes–Menongue e infra-estruturas associadas — parte de um corredor com cerca de 855 quilómetros que liga o Caminho-de-Ferro de Moçâmedes ao Porto do Namibe, com capacidade para escoar até 5 milhões de toneladas de carga por ano.



