A Sonangol Exploração & Produção (Sonangol E&P) assinou, a 18 de Junho, nas instalações da Agência Nacional de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANPG), em Luanda, o Contracto de Serviços de Risco (CSR) do Bloco KON 4, na Bacia Terrestre do Kwanza, formalizando uma aposta num activo que já foi produtivo e que o sector considera ter potencial para voltar a sê-lo, três décadas depois de ter sido abandonado.
A Sonangol entra com 20% num consórcio liderado pela britânica Afentra, que assume a operação do bloco com 35%, ao lado do Grupo Simples Oil (também 35%), da Brite’s Oil and Gas e da Sodedurs, cada uma com 5%. É uma estrutura accionista que junta a petrolífera estatal a um operador internacional especializado precisamente no tipo de activo que o KON 4 representa: campos maduros, com histórico de produção, que grandes operadoras abandonaram mas que ainda guardam valor por destrancar.
O argumento central do negócio chama-se Quenguela Norte. É a maior descoberta onshore alguma vez feita na Bacia do Kwanza, com mais de 200 milhões de barris de petróleo descobertos in situ — só que a maior parte continua no subsolo. O campo chegou a produzir 12 mil barris por dia, com 46 milhões de barris recuperados ao longo da sua vida útil, antes de as operações serem suspensas em 1999. Quenguela Norte é, por isso, menos uma descoberta nova do que uma segunda oportunidade: o desafio agora é reactivar, com tecnologia de recuperação avançada que praticamente não existia quando o campo foi encerrado, um activo cujo potencial nunca chegou a ser totalmente explorado.
O bloco, com 1.387 quilómetros quadrados, não se resume a Quenguela Norte. Inclui outros campos petrolíferos legados e oferece ainda oportunidades exploratórias de baixo custo em reservatórios do Terciário e do Cretácico, numa zona da Bacia do Kwanza onde já foram descobertos 11 campos de petróleo e dois de gás, com produção acumulada superior a 90 milhões de barris equivalentes. A proximidade à refinaria de Luanda e à rede rodoviária existente é outro argumento a favor: significa custos de escoamento mais baixos e a possibilidade de produção mais rápida, caso a reactivação avance como previsto.
Para a Afentra, que já detinha posições não-operadas nos blocos vizinhos KON 15 e KON 19, o KON 4 fecha um conjunto que o CEO Paul McDade descreveu como uma posição “bem equilibrada e complementar” em toda a bacia onshore do Kwanza — historicamente subexplorada, segundo a empresa, apesar do potencial geológico comprovado.
Para a Sonangol, o negócio insere-se numa lógica mais ampla de expansão do portefólio de exploração e produção, num momento em que a petrolífera angolana procura associar-se a operadores independentes capazes de extrair valor adicional de activos maduros — um modelo já testado noutras geografias africanas e que tende a ser menos dispendioso, em capital de risco, do que apostar em exploração totalmente nova. Resta saber se Quenguela Norte vai mesmo voltar a produzir ao ritmo de outrora, ou se ficará mais uma vez por cumprir a promessa dos seus 200 milhões de barris.
Sonangol entra em consórcio para ressuscitar o maior campo onshore do Kwanza
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