A oferta de divisas no mercado cambial angolano totalizou 5.749,65 milhões de dólares até Maio deste ano, um crescimento de 23,43% face ao período homólogo, segundo dados compilados pelos bancos comerciais. O aumento foi impulsionado, sobretudo, pelo Banco Nacional de Angola (BNA), que elevou a sua oferta ao mercado em 371,87%, para 293,94 milhões de dólares.
O Tesouro registou igualmente um crescimento expressivo, de 86,24%, para 1.301,65 milhões de dólares, enquanto a oferta junto de Clientes Diversos aumentou 32,70%, para 1.536,99 milhões de dólares. Os dados evidenciam uma maior diversificação das fontes de divisas, reduzindo parcialmente a dependência exclusiva do sector petrolífero.
Em sentido contrário, a oferta do Sector Petrolífero recuou 5,36%, para 2.046,82 milhões de dólares — uma queda que, apesar do incremento do preço do barril, reflecte os efeitos de níveis moderados de produção, associados a paragens programadas para manutenção em determinados blocos e a desafios operacionais que condicionam a capacidade produtiva. Tendência semelhante foi observada no Sector Diamantífero, cuja oferta recuou 0,98%, para 570,26 milhões de dólares, penalizada pela redução dos preços dos diamantes naturais, pressionados pela crescente oferta de diamantes sintéticos e por alterações na procura internacional.
No mercado formal, a taxa de câmbio média manteve-se em torno dos USD/AOA 912, segundo dados do BNA, com trajectória semelhante no mercado informal, onde a taxa permaneceu próxima dos USD/AOA 1.200. A maior previsibilidade beneficia empresas, importadores e consumidores, ainda que o mercado continue dependente da evolução dos preços internacionais das principais commodities.
O crescimento da oferta de divisas em 2026 está associado a factores externos favoráveis e a uma maior capacidade interna de mobilização de recursos em moeda estrangeira. Nos primeiros cinco meses do ano, o preço do petróleo Brent registou uma média de 93,5 USD/barril, valor muito acima da previsão inicial do Ministério das Finanças (MINFIN), que apontava para 61 USD/barril — uma diferença que favoreceu a arrecadação de receitas em moeda estrangeira acima do esperado, sobretudo através das exportações petrolíferas.
O aumento do preço do petróleo reflectiu-se ainda na redução das yields dos Eurobonds angolanos, traduzindo uma moderação no prémio de risco e maior confiança dos investidores internacionais na capacidade do país de cumprir as suas obrigações financeiras. Nesse contexto, o Tesouro emitiu cerca de 4 mil milhões de dólares em Eurobonds, reforçando a disponibilidade de divisas e diversificando as fontes de financiamento externo. A incerteza geopolítica mundial impulsionou também a cotação do ouro, activo que integra parte das Reservas Internacionais, contribuindo para a sua valorização e permitindo intervenções pontuais do BNA no mercado cambial sempre que necessário.



