As empresas responsáveis pelo fornecimento local de matéria-prima à indústria de bebidas apresentaram, entre 2020 e 2024, uma produção efectiva média correspondente a apenas 41% da capacidade instalada no açúcar e 38% no álcool etanol , segundo um estudo da Associação das Indústrias de Bebidas de Angola (AIBA).
Os dados expõem uma lacuna estrutural num sector que é simultaneamente um dos mais desenvolvidos do país e um dos mais dependentes do exterior.
A principal referência na produção nacional de açúcar e etanol é a Biocom — Companhia de Bioenergia de Angola, instalada no Polo Agroindustrial de Capanda, no município de Cacuso, província de Malanje.
A empresa é a única nacional especializada na produção de açúcar, etanol e energia proveniente de biomassa.  Em 2023, foi responsável por suprir 51% da procura nacional de açúcar e 30% da procura de etanol.  Ainda assim, a produção de açúcar da Biocom registou um decréscimo de 13% em 2024 face ao ano anterior. 
Para inverter esta tendência, a empresa lançou em 2024 um programa de fomento da cana-de-açúcar. O programa está aberto a pequenos e grandes agricultores e empresários agrícolas, com o objectivo de abastecer cerca de 70% do mercado nacional de açúcar e aumentar a produção agrícola em 10 mil hectares na província de Malanje. 
A Biocom compromete-se a comprar a totalidade da produção para transformação em açúcar e etanol, contando já com um convénio com o Fundo de Garantia de Crédito para apoio financeiro aos parceiros. 
No lado do açúcar refinado, outro operador privado avança em paralelo. O grupo angolano Carrinho, em parceria com a empresa alemã BMA, está a construir a maior refinaria de açúcar da África Subsaariana, situada na província de Benguela. 
A insuficiência da oferta doméstica reflecte-se directamente na factura de importações do sector. Em 2024, o Governo importou 210 mil toneladas de açúcar para complementar a produção nacional, que cobria apenas 33% do consumo anual estimado da população e das indústrias  — e isso depois de Angola ter investido mil milhões de dólares na Biocom.
Para o sector das bebidas em particular, os gastos em matéria-prima externa atingiram aproximadamente 904 milhões de dólares entre 2024 e 2025. 
A resposta do sector passa por um compromisso de compra doméstica: entre 2025 e 2030, as empresas associadas da AIBA perspectivam desembolsar 292 milhões de dólares na aquisição de matéria-prima local , face aos 227 milhões gastos no quinquénio anterior.
A concretização desse valor dependerá, em larga medida, de a Biocom e os demais fornecedores nacionais conseguirem aproximar a sua produção efectiva da capacidade que já possuem instalada.



