O Banco Angolano de Investimentos (BAI) encerrou o primeiro trimestre de 2026 com a cotação das suas acções a atingir um novo pico histórico de 110 000 Kz, num movimento que consolida o banco como uma das principais referências do mercado de capitais angolano.
A capitalização bolsista ascendeu a 2 217 mil milhões de Kwanzas, reflectindo a confiança dos investidores e um dividend yield de 21% registado nesse momento.
Porém, os resultados operacionais do trimestre revelam uma realidade mais exigente. O resultado líquido contraiu 19% — de 77 mM Kz no IV.º trimestre de 2025 para 62 mM Kz no I.º trimestre de 2026 —, pressionado pela queda abrupta da margem complementar, que recuou 48%, e pelo agravamento dos custos de estrutura em 6% ².
A receita total do banco contraiu 8%, evidenciando que a expansão dos custos supera o crescimento da receita.
A Pareto Consulting apurou um justo valor de 92 128 Kz por acção através de modelos integrados DCF/DDM e múltiplos de mercado comparáveis.
Este valor situa-se 16,2% abaixo da cotação de fecho de 110 000 Kz, sugerindo que o mercado poderá estar a antecipar um potencial de crescimento ainda não materializado nos resultados actuais.
A cotação média de negociação do período foi de 96 956 Kz, com uma dispersão de cerca de 13 000 Kz entre os dois extremos — sinal de volatilidade intraperiodo relevante.
Em termos de múltiplos, o P/E avançou de 6,22x para 8,31x face ao trimestre anterior ⁴. O PEG de 0,54x — abaixo de 1,0x — sinaliza que o crescimento potencial do BAI não estará ainda plenamente incorporado no preço, configurando uma potencial oportunidade para investidores de médio e longo prazo.
A eficiência económica deteriorou-se de forma simultânea. O rácio cost-to-income agravou-se de 38,1% para 43,9%, e a margem financeira passou a representar 88,62% do produto bancário — face a 67,56% no período anterior.
O rácio de incumprimento subiu de 4,7% para 5,0%, sinalizando pressão na qualidade do crédito ². Em sentido contrário, o Capital Adequacy Ratio melhorou de 26,5% para 27,3%, valor substancialmente acima do mínimo regulatório de 8%.
Os indicadores de funcionamento mostram uma trajectória de expansão: 2 047 colaboradores, 2 960 465 clientes activos e 1 002 800 utilizadores do BAI Directo.
Face ao primeiro trimestre de 2025, os clientes cresceram 13,3% e os utilizadores digitais avançaram 8,1%. O balanço mantém-se robusto, com o activo total a crescer 3% para 5 189 mM Kz e os fundos próprios a reforçarem-se 7% para 1 002 mM Kz.
Em síntese, o BAI inicia 2026 com fundamentos de capital sólidos e crescimento digital consistente, mas a recuperação da rentabilidade e a disciplina na gestão de custos serão os factores determinantes para que a confiança do mercado se consolide em valor intrínseco sustentável.



