Em três anos, as empresas angolanas da cadeia de fornecimento petrolífero multiplicaram por seis a sua fatia nas contratações do sector. De 2% em 2022 para 12% entre Janeiro e Agosto de 2025 — os números apresentados esta quinta-feira pelo ministro dos Recursos Minerais, Petróleo e Gás, Diamantino Azevedo, na abertura da 5ª Conferência Anual do Conteúdo Local em Angola, contam uma história de avanço gradual mas inequívoco.
Em termos absolutos, o salto é ainda mais expressivo. O valor adjudicado a empresas nacionais cresceu 104%, passando de cerca de 358 milhões de dólares em 2022 para aproximadamente 733 milhões em 2025.
Mais do que uma estatística, este número traduz a consolidação de competências técnicas, organizacionais e financeiras que permitem às empresas angolanas competir em segmentos cada vez mais exigentes da indústria.
O ecossistema empresarial nacional também cresceu em estrutura. Mais de 3.200 empresas encontram-se registadas na base de dados da ANPG, das quais cerca de 1.400 já obtiveram certificação para prestar bens e serviços à indústria petrolífera.
A angolanização das posições de gestão e liderança surge como prioridade declarada do sector — a ambição é clara: que sejam quadros angolanos a conduzir as operações estratégicas.
Diamantino Azevedo não escondeu os obstáculos que persistem. O acesso ao financiamento, a capacitação tecnológica e os constrangimentos cambiais continuam a limitar a competitividade das empresas nacionais nos contratos de maior escala. O Executivo aposta na formação especializada e no desenvolvimento de instrumentos financeiros adequados para remover esses bloqueios — porque os números mostram que, quando o caminho está aberto, as empresas angolanas sabem andar.


