Angola foi um dos primeiros países-membros da Organização dos Países Africanos Produtores de Petróleo (APPO) a cumprir integralmente o seu compromisso de subscrição de capital para o Africa Energy Bank (AEB), o futuro banco africano dedicado ao financiamento de projectos de petróleo e gás no continente.
A instituição, criada pela APPO em parceria com o Banco Africano de Importação e Exportação (Afreximbank), está prestes a concluir a sua primeira rodada de captação de recursos, com contribuições já asseguradas por vários dos seus dezoito Estados-membros.
Segundo o secretário-geral da APPO, Angola, a Nigéria e o Gana foram os primeiros países a honrar a sua quota mínima de subscrição, fixada em 83 milhões de dólares por Estado-membro. Seguiram-se outros países, entre os quais a Argélia, o Benim, a República do Congo, a Guiné Equatorial e a Costa do Marfim.
A participação activa de Angola neste processo reveste-se de particular relevância: o país é, a par da Nigéria e da Líbia, um dos três mercados prioritários identificados pelo AEB para os primeiros financiamentos a conceder pela instituição, assim que esta entrar em funcionamento.
Angola posiciona-se, deste modo, não apenas como accionista fundador do banco, mas também como um dos principais beneficiários potenciais do financiamento que a instituição se propõe disponibilizar ao sector petrolífero africano.
O Africa Energy Bank foi estruturado com uma capitalização inicial de referência de 5 mil milhões de dólares, que a instituição pretende expandir progressivamente até cerca de 15 mil milhões de dólares até 2030.
Numa primeira fase de operações, o banco pretende ainda mobilizar até 10 mil milhões de dólares em financiamento para projectos ao longo de toda a cadeia de valor do sector, da exploração e extracção ao processamento e comercialização.
A sede da instituição está instalada em Abuja, na Nigéria, país anfitrião do banco, num edifício entregue pelo Governo nigeriano no início de 2026, no âmbito das suas obrigações enquanto país-sede.
O arranque efectivo das operações tem sido sucessivamente adiado ao longo do processo de constituição, com diferentes datas anunciadas entre Abril e Julho de 2026.
O Africa Energy Bank surge num contexto de retracção das instituições financeiras ocidentais no financiamento a projectos de combustíveis fósseis em África, motivada por preocupações ambientais e climáticas.
A instituição pretende posicionar-se como alternativa africana para o financiamento do sector — um objectivo que, para Angola, poderá traduzir-se num acesso mais directo a capital para a exploração e desenvolvimento dos seus próprios blocos petrolíferos, numa altura em que o país procura diversificar as suas fontes de financiamento externo.
Os dezoito países-membros da APPO são: Argélia, Angola, Benim, Camarões, Chade, República do Congo, República Democrática do Congo, Costa do Marfim, Egipto, Gana, Guiné Equatorial, Gabão, Líbia, Namíbia, Níger, Nigéria, Senegal e África do Sul.



