O grupo de construção Somagec, com mais de dez mil trabalhadores, tem em Angola uma das peças centrais da sua expansão africana. O presidente, Roger Sahyoun, quebra o habitual silêncio e fala do projecto à revista francesa Jeune Afrique.
Há empresários que fazem da visibilidade uma estratégia. Roger Sahyoun fez exactamente o contrário. Em vinte anos, as suas aparições públicas contam-se pelos dedos de uma mão, e os números do grupo que lidera continuam guardados a sete chaves. “Humildes, discretos e eficazes” — é assim que define a Somagec. Mas os contratos falam por ele, e um dos mais ambiciosos passa por Angola.
Há menos de um ano, o grupo marroquino assinou o contrato para uma “auto-estrada da electricidade” entre Angola e a República Democrática do Congo. Assente numa dupla concessão, nos dois países, a linha eléctrica terá 1.300 quilómetros e um custo estimado em 1,3 mil milhões de dólares. Para o empresário, os benefícios serão grandes para ambos os lados da fronteira.
A história começa longe dos megaprojectos. Rizkallah Riad Sahyoun, cuja família se fixou em Marrocos nos anos 1920, trabalhou como operário antes de fundar a Somagec em 1967, dedicada a pequenos trabalhos de instalação e caldeiraria.
Foi o filho, Roger, quem mudou a escala do negócio. Engenheiro formado na prestigiada École Spéciale des Travaux Publics, em Paris, regressou a Marrocos em 1972, investiu em equipamentos, formou equipas e transformou a empresa familiar num actor de peso.
O caminho não foi fácil. Durante anos, as construtoras marroquinas viveram condenadas ao papel de subempreiteiras dos grandes grupos franceses. Sahyoun recorda à Jeune Afrique o momento de ruptura: numa obra no porto de Tânger, executava a totalidade dos trabalhos, mas quando pediu para ser reconhecido como parceiro, um director francês aconselhou-o a “saber ficar no seu lugar”. Não ficou. Bateu à porta do ministro das Obras Públicas e conseguiu que as regras mudassem.
Filho de pai libanês maronita e mãe italiana, o homem que se diz “mais marroquino do que os marroquinos” levou a Somagec para sul do Sara no início dos anos 2000, uma década antes de muitos campeões nacionais.
Começou pelo porto de Dakar, seguiu para a Guiné Equatorial, onde ampliou os portos de Malabo e Bata e construiu a pista do aeroporto de Ano Bom, e chegou ao Djibuti e ao Paraguai.
Tudo isto sem a rede de segurança de que dispõem os concorrentes franceses, chineses ou turcos, apoiados por garantias de crédito à exportação dos seus Estados. “E, no entanto, conseguimos”, orgulha-se.
Os últimos anos confirmam a ascensão: o porto de Dakhla Atlantique (1,2 mil milhões de euros), a primeira “auto-estrada da água” marroquina (mais de 550 milhões de euros), a dragagem de 27 portos e, em Agosto, uma central de valorização de resíduos em Casablanca, num contrato de 1,5 mil milhões de dólares.
Aos 74 anos, Sahyoun acaba de regressar de mais um périplo africano, com passagem por Angola, Guiné Equatorial, Gana, RDC e Etiópia. Discreto, sim. Parado, nunca.
Fonte: Jeune Afrique



