A Newrest, multinacional francesa da alimentação colectiva, está a reforçar a sua posição nos empreendimentos da petrolífera TotalEnergies em Angola, na Namíbia e em Moçambique, num movimento que reflecte a intensificação do investimento da francesa na região e a consequente disputa entre prestadoras de serviços pelos contratos associados.
Em Angola, mercado onde opera desde 2009, a Newrest soma cerca de 550 colaboradores e assegura mais de 10 mil refeições diárias, entre operações offshore, catering onshore e abastecimento de navios.
A empresa fechou recentemente um contrato com a McDermott para prestar serviços à TotalEnergies no projecto Begonia e foi convidada pela própria petrolífera a partilhar as suas práticas de segurança num fórum realizado em Luanda em Janeiro de 2026.
A oportunidade de negócio é significativa: a TotalEnergies avança com o projecto Kaminho, na bacia de Kwanza, orçado em cerca de 6 mil milhões de dólares, além de novos blocos de exploração nas bacias de Benguela e do Namibe.
O mercado, contudo, está longe de ser uma exclusividade da Newrest. A angolana Novagest surge como concorrente de maior dimensão: com cerca de 2.400 trabalhadores, dos quais 98% são angolanos, a empresa presente no país desde 2002 emprega mais do quádruplo do efectivo da Newrest e opera a bordo de plataformas, FPSO, drillships e jackups, apoiada em bases logísticas no Sonils, na Base do Kwanda e em Malongo.
Também disputam quota de mercado a Sodexo, com operações de catering offshore e onshore para diferentes segmentos de clientes, e a ESS, do grupo britânico Compass, que presta serviços de aprovisionamento, manutenção e gestão de instalações a clientes como BP, ExxonMobil, Chevron e Schlumberger.
Na Namíbia, o potencial de negócio é ainda maior. A TotalEnergies tornou-se operadora das duas maiores descobertas petrolíferas do país após acordo com a Galp, assumindo participação de 40% na licença PEL83, onde se situa Mopane, e posições nas licenças PEL56 e PEL91, que incluem a descoberta de Venus.
A decisão final de investimento para Venus é esperada ainda em 2026, com um programa de avaliação de três poços previsto para Mopane no mesmo período. O impacto no emprego local deverá ser expressivo: as projecções apontam para cerca de 7 mil postos de trabalho no pico de produção, dos quais 500 directos e 6.500 indirectos — um volume que deverá atrair fornecedores de serviços de catering e alojamento remoto.
Em Moçambique, onde a TotalEnergies opera desde 1991, o megaprojecto Mozambique LNG mantém-se como principal fonte de oportunidades. A operadora do projecto realizou, em Março, uma ronda de seminários com fornecedores locais em Cabo Delgado e Maputo, anunciando vagas em dez sectores de actividade, incluindo gestão de instalações e catering.
A movimentação da Newrest ilustra a corrida das principais prestadoras de serviços de suporte — multinacionais e operadores locais — para capitalizar o crescimento da TotalEnergies na África Austral, região que se consolida como uma das fronteiras energéticas mais activas a nível global.



