Aumento da taxa BNA reduz investimento na economia

Face aos indicadores, técnicos do Banco de Fomento Angola (BFA) tinham alertado o banco central para elevar a taxa básica de juro. Caso contrário, a inflação chegaria a 20% até ao final deste ano.

Os agentes económicos vão assistir à redução do consumo e dos investimentos até ao primeiro trimestre de 2024, apontam as projecções económicas, pelo facto de o Banco Nacional de Angola (BNA) ter aumentado a taxa básica de juro, passando de 17% para os actuais 18%.

A decisão do banco central, tomada na reunião do Comité de Política Monetária (CPM), segundo o governador Manuel Tiago Dias, em declarações à imprensa, visa o controlo da inflação, actualmente fixada em 16,58%, contrariando as previsões económicas no início de 2023.

O BNA, ainda sob a liderança de José Massano, previa uma taxa de inflação a situar-se entre

9% e 11%. Na altura, chegou a afirmar que a meta perseguida era de 4% a 6%, objectivo que engaja a maioria dos países da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC).

Os eventos económicos daquele período (Abril 2023) tranquilizavam o governador do BNA (actualmente ministro de Estado para a Coordenação Económica), tendo alegado que a âncora monetária deixou de ser a moeda estrangeira (USD), como acontecia até 2017.

Trajectória inesperada

Face à mudança da âncora, explicou o ex-governador, o banco central passou a trabalhar com a base monetária para o alcance da meta de inflação. As reservas internacionais líquidas (RIL) deixaram de ser utilizadas como instrumentos para a condução de política monetária do BNA.

Apesar desta mudança, a inflação tomou uma trajectória inesperada. Face aos indicadores, técnicos do Banco de Fomento Angola (BFA) tinham alertado o banco central para elevar a taxa básica de juro. Caso contrário, a inflação chegaria a 20% até ao final deste ano.

Nas vestes de condutor da política monetária, o banco central (a 21 de Novembro de 2023) optou por aumentar a taxa básica para 18% contra 17%. A medida terá implicação na vida dos cidadãos.

Para o presidente da Associação Angolana de Bancos (ABANC), Mário Nascimento, em declarações à imprensa, o aumento da taxa básica de juro vai elevar o custo do financiamento e tem impacto na viabilidade dos projectos dos clientes. Os empréstimos tornam-se menos atractivos.

Consequências do aumento

Com o aumento da taxa básica de juro, continuou o responsável, as condições dos empréstimos abrangidos pelas iniciativas institucionais de financiamento tornam-se mais atractivas, podendo ocorrer um aumento da solicitação de crédito ao abrigo destes mecanismos.

A situação é mais complexa ou exigente para os clientes bancários cujos projecto a financiar estão desligados do Aviso 09/22 e 10/2022 do BNA.

Neste período, explicou o economista Alves Bernardo, pode haver desaceleração da actividade económica, pois as empresas tendem a investir menos e cortar gastos, reduzindo o crescimento do PIB.

“O consumo também pode ser afectado, pois os consumidores podem reduzir os gastos devido ao maior custo de crédito”, disse o especialista chamado a falar sobre as consequências da alteração da taxa BNA.

O economista afirmou que o aumento da taxa directora pode reduzir a rentabilidade de investimentos de renda fixa, como os títulos e certificados de depósito bancário, mas leva os investidores a migrarem para outras opções de investimento, como a bolsa de valores.

BNA ‘aperta’ bancos sistémicos

A volatilidade no mercado de acções pode aumentar devido às incertezas económicas causadas pelo aumento da taxa BNA. Se no plano interno a medida do banco central é tida como dolorosa, ao nível externo jamais. “O País torna-se mais atractivo para o investidor

estrangeiro que buscam melhores retornos do capital”, sublinhou Alves Bernardo.

Após a subida da taxa directora, o BNA também decidiu aumentar a cota de reserva obrigatória de 11 bancos comerciais, tendo em conta a exposição destes ao risco sistémico.

À luz da Lei do Regime Geral das Instituições Financeiras, estão obrigados a elevar a cota da reserva obrigatória no banco central os seguintes bancos: BAI-Banco Angolano de Investimentos, BFA-Banco de Fomento Angola, Banco BIC, BPC-Banco de Poupança e Crédito, Atlântico, Banco Económico, Standard Bank, Banco Sol, BCI-Banco de Comércio e Indústria, Banco Keve e BNI-Banco de Negócios Internacional.

A cota dos três primeiros bancos é de 2% e o aumento deve ser feito em Janeiro de 2024. BPC e Atlântico, 1,5% até Março próximo, enquanto os outros, se ficam por 1%. O prazo-limite é Junho deste exercício económico.

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